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Por Mauro Wainstock*

Se você acha seu emprego prazeroso, agregador, revitalizante, seguro, que possibilita reais oportunidades de crescimento e permite estabelecer relacionamentos genuínos, excelente! Mas tenha certeza de que um dia você vai perder estes benefícios. Só não sabemos quando. Espero que não seja amanhã...

Mas se você encara o emprego como uma rotina cômoda, automatizada, desgastante e ansiosa pela chegada do final do mês, esta tal felicidade ainda não existe.

Pesquisas comprovam que pelo menos 68% dos brasileiros estão se sentindo exaustos. Entregas profissionais excessivas, carga horária exagerada e Burnout crescente encontram no dia a dia corporativo formas de se proliferar.

Por outro lado, o número de processos por assédio moral e sexual no ambiente de trabalho já superou 200 denúncias por dia. Muitas vezes ele é invisibilizado, não denunciado, e suas práticas viram lugar comum...

Ambientes tóxicos, relações competitivas e lideranças despreparadas, ganham proporções inimagináveis.

Preconceitos velados e discriminações silenciosas ocorrem em ambientes organizacionais onde o ESG é apenas uma sigla teórica, midiática, que serve para enfeitar paredes, assim como missões impossíveis, visões deturpadas e valores intangíveis. Equilíbrio de vida sonhado e não concretizado, angústia reprimida e constante são consequências de formatos engessados que inibem debates construtivos e pecam pela interferência de egos.

Pensar que a CLT é uma realidade segura baseada apenas em resultados metrificados é uma temeridade. Imaginar que promoções vão acontecer de forma linear e ascendente é ser demasiadamente otimista. Vislumbrar que com a chegada da aposentadoria será possível financiar 30 anos adicionais de vida é uma ficção.

Acreditar na existência do tripé educação, emprego e “liberdade remunerada” formatado em blocos estáveis e delimitados é uma ilusão. 

Temos muito a avançar em termos de pluralidade, em novos modelos de atuação e, sobretudo, no processo educativo e cultural, dentro e fora do ambiente corporativo.

A cada dia surgem nomenclaturas para definir a histórica estrutura básica empresarial. Três letras em inglês servem para qualificar nossos cargos: CMO (Chief Marketing Officer), CHRO (Chief Human Resources Officer), CTO (Chief Technology Officer), CRO (Chief Revenue Officer), CSO (Chief Sales Officer), CDO (Chief Digital Officer), CIO (Chief Information Officer), CFO (Chief Financial Officer), CGO (Chief Governance Officer) e COO (Chief Operating Officer), até chegar ao tão almejado CEO (Chief Executive Officer).

Neste espaço em que todos são chiefs, o C de cacique predomina e o C de colaboração ainda está muito distante, outro C, o da nova CLT (Carreira Livre e Transformadora), vem ganhando o C de corpo.

Não se trata de ter perfil empreendedor, mas de ser o proprietário vitalício da própria carreira. De assumir o sobrenome real – e não empresarial, independente do “estar” trabalhando em uma empresa. De ser reconhecido não pela sigla do momentâneo cargo, mas pelas qualificações técnicas, posturas éticas e comportamentos humanos.

A Era do profissional nota 5, acomodado, passivo, guiado pelo automatismo previsível e pela incessante busca de novos crachás cedeu lugar ao “solucionador”.

Neste sentido, e diante da restrição de vagas no mundo corporativo formal, principalmente para os 50+, o Talent As a Service (TaaS) cresce não apenas na quantidade de letras, mas nas múltiplas oportunidades, na maior autonomia, no gerenciamento do próprio tempo e na capacidade de valorizar a experiência, a criatividade e a inteligência – em detrimento da robotização do profissional.

No que tange às empresas, permite a redução de custos com folha de pagamento, benefícios e impostos, além de simplificar e agilizar a contratação. Propicia obter a colaboração de um profissional especializado por uma fração do salário da carteira assinada. Resultados positivos são renovados, a mediocridade rejeitada. A decisão é simples e direta, sem burocracias, avisos prévios e queixas judiciais.

A longevidade das empresas e a satisfação do profissional estão atreladas. Relações saudáveis dependem do respeito e da admiração mútuos.

E se conciliássemos estes dois mundos através do Happiness as a Service (HaaS)?

Ter emprego é diferente de estar trabalhando.

Estar motivado e engajado torna o profissional mais produtivo, criativo e rentável.

Ser feliz é ser reconhecido.

É ser monetizado pelo seu real valor.

É ter saúde física, estabilidade emocional, intercâmbio relacional e segurança financeira.

Bora fazer acontecer!

*Mauro Wainstock foi nomeado Linkedin TOP VOICE, é mentor de executivos, conselheiro de empresas, palestrante sobre diversidade etária e sócio-fundador do HUB 40+.

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