Brasil mantém recorde mundial na reciclagem de latas de alumínio, com índice superior a 96%. (Krit of Studio OMG/Getty Images)
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Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 17h00.
Por Daniele Albagli*
Após um ciclo de resiliência e ajustes, o setor de embalagens para bebidas no Brasil se prepara para um 2026 que promete a recuperação de volumes.
Esta retomada vem junto da consolidação de mudança estrutural no comportamento do consumidor, focada em conveniência e sustentabilidade.
Se 2025 foi um ano marcado por temperaturas abaixo da média e inflação de pouco mais de 4%, o horizonte agora é de otimismo fundamentado em variáveis sólidas.
Do ponto de vista macroeconômico, o alinhamento de fatores é evidente para o setor de embalagens.
A trajetória de queda da inflação, combinada à redução esperada das taxas de juros, devolve ao brasileiro o poder de compra e acesso ao crédito.
Historicamente, o mercado de bebidas é um dos primeiros a sentir o reflexo positivo da melhora na renda disponível.
Pois quando o consumidor tem mais fôlego financeiro, o consumo por conveniência e as ocasiões de socialização ganham força.
Somado a isso, temos o fator "calendário" de um ano de eventos de massa, como a Copa do Mundo.
Este evento cria um ecossistema de celebração que movimenta bares, restaurantes e o consumo domiciliar.
Diferente de 2025, as projeções para 2026 indicam um equilíbrio térmico mais favorável, removendo barreiras meteorológicas que impactaram o setor.
A lata de alumínio para bebidas é a embalagem mais reciclada do Brasil. Neste sentido, é importante destacar sua circularidade.
Em um mundo onde o ESG é critério de compra, o Brasil lidera globalmente a reciclagem de latas de alumínio, atingindo índices acima de 96% por 16 anos.
O metal pode ser reciclado infinitas vezes sem perder propriedades. O ciclo de vida de uma latinha é de cerca de 60 dias entre consumo e retorno ao comércio.
Atualmente, as chapas comercializadas pela Novelis possuem cerca de 80% de conteúdo reciclado em sua composição.
Ou seja, 80% da matéria-prima utilizada na produção é proveniente da reciclagem do alumínio.
Este diferencial é um argumento mercadológico decisivo para marcas que buscam alinhar-se aos valores do consumidor de 2026.
Ao escolher uma bebida em lata e descartar a embalagem corretamente, consumidores integram uma cadeia circular reconhecida como referência mundial.
Os benefícios da reciclagem de latas são inúmeros, reduzindo em 95% a emissão de gases de efeito estufa.
No âmbito social, a atividade fomenta a coleta seletiva, gerando renda para mais de 800 mil famílias.
Além da sustentabilidade, o sistema de vedação da lata de alumínio é projetado para ser inviolável, garantindo a integridade do produto.
Assistimos também a uma evolução no portfólio: a embalagem deixou de ser exclusividade da cerveja e do refrigerante.
O crescimento de novas categorias, como vinhos e coquetéis prontos (Ready to Drink), prova que a lata se tornou uma escolha de estilo de vida.
O consumo de bebidas em 2026 será o palco para que essa eficiência mostre todo o seu potencial de expansão.
*Daniele Albagli, vice-presidente Comercial da Novelis América do Sul.