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Segurança de dados para PMEs não precisa ser complicada

 Planilhas, nuvem e automação – entenda práticas simples que reduzem vulnerabilidades

 (Tero Vesalainen/Getty Images)

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Publicado em 8 de dezembro de 2025 às 13h00.

Por Ricardo Maravalhas*

A avaliação de riscos voltada para pequenas e médias empresas (PMEs), que representam mais de 80% da contratação da mão de obra no país, segundo o Sebrae Nacional, já não precisa ser algo caro ou complexo. 

Há hoje uma variedade de ferramentas simples e acessíveis que permitem qualquer negócio, por menor que seja, entender onde estão seus pontos frágeis e agir para proteger dados pessoais.

Dados recentes reforçam como essa prática é urgente: no relatório Cost of a Data Breach 2024, da IBM, o custo médio global de uma violação de dados chegou a US$4,88 milhões, um salto de 10% em relação ao ano anterior.

Para organizações menores, esse impacto pode ser ainda mais dramático: mesmo que o valor absoluto das perdas seja menor, a vulnerabilidade financeira das PMEs pode tornar difícil a recuperação após um incidente. 

Por isso, usar ferramentas práticas desde já é um investimento inteligente, e não necessariamente dispendioso.

Passos iniciais para a proteção de dados

Um dos passos iniciais mais eficazes é o mapeamento de dados por meio de planilhas estruturadas. 

Muitas associações e consultorias oferecem modelos gratuitos alinhados à LGPD com um check-list de conformidade. 

Essa abordagem simples ajuda empresas a identificar falhas de design, tratamentos de dados excessivos ou fluxos desnecessários, sem exigir uma plataforma complexa.

Embora não substituam auditorias aprofundadas, essas ferramentas identificam facilmente pontos de entrada comuns: portas abertas, configurações inseguras, certificados vencidos ou autenticação fraca. 

Muitas vezes, os ajustes sugeridos nos relatórios dessas varreduras já geram uma redução significativa nos riscos.

Outras soluções acessíveis para PMEs

Além disso, PMEs podem recorrer a plataformas de gestão na nuvem (CRM, ERP, sistemas colaborativos) que já têm segurança básica embutida com controles de acesso, criptografia ou logs de auditoria. 

Essas ferramentas ajudam a padronizar processos, evitar o uso inadequado de dados sensíveis e reduzir a ocorrência de falhas humanas, que continuam sendo um dos vetores mais comuns para vazamentos.

Também vale investir em capacitação: treinamentos online, webinars gratuitos ou cursos curtos que podem sensibilizar a equipe para boas práticas de segurança e privacidade. 

Investir na cultura de privacidade, mesmo com pouco orçamento, se traduz diretamente em menos erros operacionais e menos riscos. 

Outra alavanca poderosa para PMEs é a automação com inteligência artificial (IA), com soluções oferecidas por startups que têm a figura do DPO (Encarregado de Dados) a preço acessível.

No relatório da IBM, organizações que usaram IA e automação de forma extensa para tarefas de prevenção, detecção e resposta reportaram uma economia média de US$1,88 milhão. 

Mesmo em pequenas empresas, é possível adotar soluções modulares e acessíveis de automação para reduzir o tempo de detecção e contenção de incidentes.

Conformidade com a LGPD

É importante reforçar que a LGPD não exige perfeição, mas exige diligência e coerência. A boa prática de avaliação de riscos, ainda que feita com recurso limitado, demonstra que a empresa leva a sério a proteção de dados

Registrar os resultados dos mapeamentos, justificar escolhas, documentar correções e manter relatórios, mesmo das ferramentas mais simples, já mostra responsabilidade.

No fim, para uma PME, a combinação de planilhas bem estruturadas, scanners acessíveis, automação leve, capacitação da equipe e métricas financeiras de risco representa uma abordagem equilibrada, eficiente e viável. 

Essas práticas não apenas ajudam a reduzir vulnerabilidades reais, mas também constroem credibilidade, reforçam a confiança dos clientes e colocam a empresa em posição de maior resiliência, tudo isso sem a necessidade de grandes investimentos.

*Ricardo Maravalhas é fundador e CEO da DPOnet, empresa com mais de 5.000 clientes, que nasceu com o propósito de democratizar, automatizar e simplificar a jornada de conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

 

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