Mercado Imobiliário

Posso comprar imóvel com dinheiro vivo? A resposta é sim. Por enquanto

Projeto exige que todos os pagamentos sejam feitos por meios rastreáveis, como Pix, transferência bancária (TED) ou cheque administrativo

Mercado imobiliário: compra e venda de imóveis não poderão ser feitas com dinheiro vivo (EyeEm/Getty Images)

Mercado imobiliário: compra e venda de imóveis não poderão ser feitas com dinheiro vivo (EyeEm/Getty Images)

Rebecca Crepaldi
Rebecca Crepaldi

Repórter de finanças

Publicado em 21 de maio de 2026 às 10h05.

O mercado imobiliário brasileiro pode estar prestes a passar por uma mudança relevante nas regras de pagamento de imóveis.

Um projeto de lei aprovado recentemente no Senado proíbe o uso de dinheiro em espécie em transações imobiliárias, tanto compra como venda, exigindo que todos os pagamentos sejam feitos por meios rastreáveis, como Pix, transferência bancária (TED) ou cheque administrativo.

A proposta, que tramita em caráter terminativo, segue agora diretamente para análise da Câmara dos Deputados, sem necessidade de votação no plenário do Senado.

Como seria na prática?

Na prática, a medida impede que escrituras de compra e venda sejam lavradas em cartório sem a comprovação de que os recursos circularam pelo sistema financeiro formal.

Assim, o tabelião passa a exigir comprovantes de transferência para registrar a operação, e o valor declarado na escritura deverá corresponder exatamente ao montante efetivamente transferido entre comprador e vendedor.

O principal objetivo da mudança é ampliar a rastreabilidade das operações e reduzir brechas para práticas como lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio no setor imobiliário — isso porque o governo passa a garantir que a origem dos recursos seja identificada.

A avaliação dos autores do projeto é que a exigência de meios eletrônicos de pagamento dificulta o uso de recursos de origem não identificada na aquisição de imóveis.

Em uma das justificativas da proposta, o relator Oriovisto Guimarães afirmou que o uso de dinheiro em espécie em compras de imóveis facilita esquemas de ocultação de recursos. Segundo ele, a obrigação de rastreabilidade elimina uma das principais vias usadas para esse tipo de prática.

“Uma das principais maneiras de lavar dinheiro é a compra de imóveis com malas de dinheiro. Nenhum cartório poderá fazer escritura dessa forma. É um verdadeiro absurdo que facilita a ocultação de recursos sem origem lícita. Agora o dinheiro terá que ser rastreável”, afirmou.

Descumprimento e limites

O relator também incorporou ao projeto a previsão de sanções para o descumprimento das novas regras. Entre as penalidades estão a possibilidade de apreensão dos valores envolvidos na transação e, em situações previstas, o confisco dos recursos.

Além disso, o texto atribui ao Conselho Monetário Nacional (CMN) a tarefa de estabelecer limites para movimentações em dinheiro vivo dentro do sistema financeiro, incluindo pagamentos de boletos e outras operações bancárias.

Esses, limites serão definidos em conjunto com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão responsável por monitorar movimentações suspeitas e atuar no combate à lavagem de dinheiro.

De acordo com o texto, essas restrições valerão para todos os clientes de bancos e instituições financeiras reguladas pelo Banco Central. Caso os valores ultrapassem o teto estabelecido, a transação deverá obrigatoriamente ser realizada por meios eletrônicos.

A medida integra um conjunto mais amplo de iniciativas voltadas ao aumento da transparência e ao fortalecimento dos mecanismos de controle sobre transações financeiras, especialmente no mercado imobiliário, que historicamente envolve operações de alto valor e maior risco de informalidade.

Para virar lei, a proposta ainda precisa ser aprovada pela Câmara dos Deputados e, depois, sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O texto é de autoria do senador Flávio Arns (PSB-PR).

Acompanhe tudo sobre:Mercado imobiliárioImóveisDinheiroLavagem de dinheiroPIXTED

Mais de Mercado Imobiliário

Chegou a vez deles: cada vez mais Millennials compram imóveis de luxo, diz estudo

Vitacon, do estúdio de 10 metros quadrados, volta aos escritórios de alto padrão

'Morumbi? Eu passo', diz executivo por trás de icônico prédio dos livros de geografia

O 'banco das imobiliárias' antecipa até 24 meses de aluguel ao locador