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Quiet quitting: fenômeno é tendência mundial e desafia líderes do futuro

Em alta nas redes, fenômeno reflete busca por equilíbrio entre vida profissional e propósito pessoal
O que significa fenômeno que virou tendência nas redes sociais (foto/Thinkstock)
O que significa fenômeno que virou tendência nas redes sociais (foto/Thinkstock)
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Publicado em 27/09/2022 às 12:00.

Última atualização em 28/09/2022 às 14:24.

Você sabe o que é quiet quitting? Se formos traduzir ao pé da letra, o termo significa “desistência silenciosa” ou “demissão silenciosa", mas, ao contrário do que parece, quem está aderindo a esse novo fenômeno não tem a menor intenção de pedir as contas. Isso porque o conceito vai além do fato de se estar ou não feliz no emprego, e de se demitir do cargo.

O quiet quitting implica dizer que o profissional tomou a decisão de limitar suas tarefas às estritamente necessárias dentro da descrição de seu trabalho, evitando longas jornadas e sobrecarga. Essa “virada de chave” visa estabelecer limites claros entre vida profissional e pessoal. Assim, tais pessoas cumprem com suas obrigações profissionais, mas não “vivem para trabalhar”. Eles reservam tempo para o lazer e a família e, quando chegam em casa, deixam o trabalho para trás.

De acordo com Tonia Casarin, especialista em liderança, o quiet quitting é fruto da busca cada vez mais frequente por uma vida profissional equilibrada com os propósitos de vida de cada um. “Hoje as pessoas não querem mais trabalhar por trabalhar. Elas aspiram estar em lugares realmente alinhados a aquilo em que acreditam. No entanto, nem sempre estão em condições de pedir demissão. Com isso, o quiet quitting surgiu como uma forma de contestação silenciosa”, diz a pesquisadora.

Segundo ela, é importante ressaltar que as pessoas que adotam essa atitude não querem ser demitidas, mas sim integrar a vida pessoal e a profissional de acordo com suas necessidades, livrando-se da “cultura tóxica” das empresas, que vem gerando cada vez mais problemas envolvendo a saúde mental da população

O quiet quitting ganhou força durante a pandemia de covid-19, quando muitas pessoas começaram a rever seus valores e a repensar prioridades. De acordo com levantamento recente feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan), quase 3 milhões de brasileiros pediram demissão no primeiro semestre de 2022, em um movimento chamado de “The Great Resignation”, que começou nos Estados Unidos.

“A pandemia acentuou essa situação, pois as pessoas viram o risco da morte e passaram a se questionar mais, o que consequentemente afetou a vida profissional de muitos”, afirma. No auge da crise sanitária, muitas pessoas também passaram a sofrer com ansiedade e depressão, transtornos mentais que, segundo a OMS  (Organização Mundial da Saúde) aumentaram 25% desde 2020.

O  “The Great Resignation” e o “Quiet Quitting” não são fenômenos iguais – já que no primeiro as pessoas pedem demissão, e no segundo não. Entretanto, os dois movimentos estão interligados e mostram que muitas pessoas não estão felizes na vida profissional e, indo mais além, não estão mais aceitando isso.

Desafio para os líderes do futuro

Se as pessoas não têm a intenção de pedir demissão, mas sim de equilibrar a vida profissional com seus propósitos, os líderes das empresas passam a ter um desafio: atrair e reter talentos em suas companhias, manter o engajamento e a produtividade

“É o momento de as lideranças se conectarem com o time de funcionários e entenderem o que essas pessoas querem, além de questionar: como é a cultura na empresa? Ela é tóxica? Como está a demanda de trabalho de acordo com determinado cargo?”, diz Tonia.

É importante lembrar que, cada vez mais, se fala sobre a saúde mental no trabalho, e que isso está diretamente ligado ao Quiet Quitting, já que empresas com cultura tóxica e gestores tóxicos contribuem para o adoecimento de seus funcionários quando, entre muitos aspectos, exigem uma carga de trabalho mais intensa do que a pessoa pode suportar.

 

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