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Quem é o 'estrategista criativo' e como construir essa carreira

Entenda por que o ‘creative strategist’ se tornou uma das funções mais estratégicas do marketing digital orientado por performance

Creative Strategy une análise de dados e criatividade para potencializar resultados digitais (Xavier Lorenzo/Getty Images)

Creative Strategy une análise de dados e criatividade para potencializar resultados digitais (Xavier Lorenzo/Getty Images)

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Plataforma de conteúdo

Publicado em 13 de abril de 2026 às 17h00.

Por Danilo Nunes*

O estrategista criativo, ou ‘creative strategist’, nasceu de uma série de mudanças recentes. Nos últimos anos, o mercado digital passou por uma transformação profunda impulsionada pela centralidade do conteúdo nas decisões de consumo.

Em um cenário onde creators e fundadores utilizam o alcance de plataformas para dar uma visibilidade antes inimaginável aos seus produtos e serviços;

Utilizam esses mesmos canais para construir um relacionamento mais íntimo e com tempo de resposta extremamente mais ágil, o modelo de marketing tradicional já não se encaixa às demandas nem das empresas, nem dos consumidores.

O surgimento do creative strategist em um mercado orientado por performance

Da mesma maneira que vimos estrategista de influência e o gestor de mídia paga nascerem, em 2021, no mercado internacional;

A cadeira de creative strategist ganha destaque frente a profissões tradicionais de marketing justamente por trazer o repertório cultural exigido pela profissão;

Mas sabendo orquestra-lo em um ambiente onde a cultura se molda em tempo real com creators, formatos, atualizações de algoritmo e, principalmente, acesso a dados de performance que permitem modelo de atuação orientado por experimentação, agilidade e impacto direto nos resultados do negócio.

Criatividade conectada a hipóteses, dados e aprendizado contínuo

Gosto de traduzir essa função como 'estrategista de criativos': com a função principal de conectar criação e performance, garantindo que as sprints criativas respondam a um backlog de hipóteses.

Diferente do estrategista tradicional focado em problemas macro de marca, o creative strategist surgiu da necessidade de empresas nativas digitais escalarem via canais DTC como principais fontes de aquisição;

Principalmente empresas fundadas por creators ou investidores que dependem da mídia paga digital para escalar suas operações em ritmo acelerado - no Brasil tendo como cases expressivos Guday, Sallve, Bold, Insider e Vhita;

E, no mercado internacional, AG1, Javy Coffee, Nude Project e Dr Squatch.

Na medida que os esforços nos canais se provaram relevantes e levaram empresas nativas digitais para a casa de 7-8 dígitos de investimento em mídia paga online ao mês;

Empresas mais tradicionais adotaram canais DTC em seu mix de estratégia e implementaram esse modelo para competir com empresas que começaram a tomar parcela de mercado.

Essa movimentação não surgiu do acaso. Segundo relatório da Business Research Insights, o mercado global de vendas diretas ao consumidor (DTC) atingiu US$ 275 bilhões em 2024;

Mantendo uma forte trajetória de crescimento para atingir US$ 550 bilhões em 2033, a um CAGR de cerca de 7,8%.

O creative strategist se tornou uma das principais contratações de marcas DTC internacionais. E no dia a dia, esse profissional atua com visão holística de quatro pilares:

  • Criação e storytelling - para identificar narrativas e criar boas histórias;
  • Performance e experimentação - para falar a língua dos times de growth;
  • Gestão de projetos ágeis - para organizar fluxos e sistemas criativos;
  • Entendimento profundo da Creator Economy - para saber qual tipo de influenciador, afiliado ou criador de conteúdo dará vida à história da marca.

Escassez de talentos e a globalização das carreiras criativas

Há hoje uma escassez de mão de obra qualificada e uma pressão gigantesca do mercado global por profissionais capazes de operar com eficiência.

Empresas americanas e europeias impulsionaram o modelo de hiring overseas: contratar talentos de países com moedas mais fracas para operar de forma remota, ganhando em moeda forte.

O impacto disso foi imediato no mundo: jovens com domínio técnico, mesmo sem formação acadêmica tradicional, passaram a ocupar posições globais com salários iniciais de US$ 3.000, chegando a cifras de até US$ 15.000 mensais.

No Brasil, praticamente os únicos lugares que tinham essa cadeira consolidada eram plataformas como Meta e TikTok e Kwai;

Em que creative strategists atuam como facilitadores entre o anunciante e as ferramentas da plataforma que podem trazer resultados de negócio.

Depois de anos acompanhando e trabalhando no mercado internacional de creative strategy, vejo no Brasil essa cadeira começar a aparecer dentro de times de aquisição;

Respondendo a lideranças de growth ou uma liderança criativa 360 - seja em times de “marca + performance” ou “influência + performance”, como optando por modelos híbridos de consultoria e educação na Nudgy.

O maior desafio está na maturidade operacional: não basta produzir peças, é preciso criar sistemas e rituais que garantam volume, previsibilidade e escala;

Traduzindo insights em hipóteses, hipóteses em criativos e criativos em aprendizados, tudo sem gargalos e sem playbooks ultrapassados diante da evolução dos algoritmos.

Creative Strategy tornou-se uma competência essencial para quem quer operar no nível global. E o Brasil tem a chance real de não apenas acompanhar esse movimento, mas liderar uma nova geração de profissionais preparados para pensar na criação com impacto direto na performance.

Danilo Nunes é professor, pesquisador da Creator Economy e CEO e Fundador da Nudgy. Além de ser o principal mentor brasileiro de Creative Strategy para profissionais de criação que querem internacionalizar suas carreiras.

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