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Opinião: o Pix é só o começo para o Brasil

Com mais de 96% dos adultos bancarizados, o foco do mercado brasileiro passa a ser a automação e a execução invisível de serviços financeiros

Infraestrutura moderna e inteligência artificial transformam o ecossistema financeiro (PeopleImages./Shutterstock)

Infraestrutura moderna e inteligência artificial transformam o ecossistema financeiro (PeopleImages./Shutterstock)

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Publicado em 6 de julho de 2026 às 15h00.

Por Felipe Facchini, CEO do Stark Infra.

O Brasil viveu, nos últimos anos, uma das transformações financeiras mais relevantes de sua história recente.

A ampliação do acesso aos serviços bancários, a digitalização dos meios de pagamento e a consolidação de novas infraestruturas criaram uma base inédita para a economia digital.

Segundo o Relatório de Cidadania Financeira 2025, do Banco Central, 96,4% da população adulta já está inserida no sistema financeiro. Ao fim de 2024, 175 milhões de brasileiros possuíam conta bancária ou de pagamento.

Esse avanço representa um marco importante. Durante muito tempo, o principal desafio do país foi ampliar o acesso da população aos serviços financeiros.

Hoje, porém, a discussão entra em uma nova fase.

A questão central deixa de ser apenas conectar pessoas ao sistema financeiro e passa a ser como transformar essa infraestrutura financeira em uma plataforma capaz de tornar a experiência financeira mais simples, automática, personalizada e integrada ao dia a dia dos consumidores.

A consolidação do Pix e do Open Finance

Nos últimos anos, o avanço da bancarização veio acompanhado por uma mudança profunda na forma como pessoas e empresas se relacionam com o dinheiro.

O Pix, por exemplo, consolidou-se como parte da rotina dos brasileiros ao permitir pagamentos e transferências em tempo real, todos os dias da semana.

Em 2025, o sistema respondeu por mais da metade das transações realizadas no Brasil, segundo dados do Banco Central, reforçando o papel dos pagamentos instantâneos na transformação da economia.

Ao mesmo tempo, iniciativas como o Open Finance ampliaram as possibilidades de compartilhamento de dados entre instituições autorizadas, sempre mediante consentimento do usuário.

Esse movimento criou um ambiente mais aberto, competitivo e interoperável, permitindo que diferentes empresas desenvolvam soluções financeiras mais personalizadas e conectadas às necessidades de cada pessoa.

Essa combinação entre digitalização, interoperabilidade e velocidade criou uma das infraestruturas financeiras mais modernas do mundo. Mas a próxima etapa dessa evolução tende a ser ainda mais profunda.

Com o avanço da inteligência artificial, os serviços financeiros deixam de apenas processar transações e passam a compreender contexto, automatizar decisões e executar ações.

O impacto dos agentes de IA e a automação de processos

Esse ponto é especialmente relevante porque a nova geração da inteligência artificial não será formada apenas por sistemas capazes de responder perguntas ou apoiar a tomada de decisão.

O avanço dos agentes de IA aponta para um cenário em que sistemas inteligentes poderão executar tarefas em nome de pessoas e empresas, sempre dentro das permissões definidas pelos usuários.

Na prática, isso significa que esses agentes precisarão interagir com contas, pagamentos, recebimentos, contratos e regras regulatórias para atuar de forma efetiva na economia real.

Quando isso acontecer em larga escala, a infraestrutura financeira terá um papel ainda mais central.

Agentes de inteligência artificial não poderão apenas conversar, recomendar ou organizar informações.

Eles precisarão realizar pagamentos, receber recursos, contratar serviços, autorizar operações e operar dentro das normas do sistema financeiro.

Para que isso seja possível, será necessário contar com uma infraestrutura programável, segura, rastreável e capaz de operar em tempo real.

O conceito de embedded finance já abriu caminho para essa transformação ao permitir que produtos e serviços financeiros fossem incorporados a plataformas digitais de diferentes setores.

Agora, porém, o mercado parece caminhar para um estágio mais avançado.

O foco deixa de ser apenas inserir uma solução financeira em uma jornada digital e passa a ser permitir que sistemas inteligentes coordenem operações financeiras de forma automática, contextual e segura.

Na prática, pagamentos, contratações, assinaturas, recebimentos, cobranças e movimentações financeiras tendem a estar cada vez mais integrados às jornadas digitais dos consumidores.

Em vez de acessar diferentes aplicativos, preencher dados repetidamente ou comandar manualmente cada etapa, o usuário poderá autorizar experiências em que a execução financeira acontece de forma invisível, fluida e integrada ao contexto.

Esse modelo, no entanto, depende de uma base tecnológica robusta.

A infraestrutura financeira que sustentará essa nova etapa precisará combinar velocidade, segurança, rastreabilidade e conformidade regulatória.

Não se trata apenas de movimentar dinheiro com eficiência, mas de criar uma camada confiável para que pessoas, empresas e sistemas inteligentes possam operar dentro da economia de forma segura.

O futuro invisível dos serviços bancários

Nesse cenário, o Brasil tem uma oportunidade relevante.

A agenda de modernização conduzida pelo Banco Central, com iniciativas como Pix e Open Finance, posicionou o país em um ambiente favorável para o desenvolvimento de novas soluções financeiras.

A combinação entre alta adoção digital, infraestrutura interoperável e avanço da inteligência artificial pode colocar o Brasil em posição de liderança na próxima etapa da economia digital.

A tendência é que, cada vez mais, os serviços financeiros desapareçam da interface do usuário e passem a funcionar como uma camada invisível de execução.

Pagamentos, recebimentos, autorizações e decisões financeiras deverão acontecer dentro das próprias experiências digitais, sem que o consumidor precise interromper sua jornada para acessar manualmente diferentes serviços.

As melhores experiências financeiras serão justamente aquelas que simplesmente acontecem.

Assim como a internet precisou de protocolos para conectar computadores, a economia baseada em inteligência artificial precisará de uma infraestrutura capaz de conectar dinheiro, agentes e dados de forma segura, regulada e confiável.

A próxima fase da economia digital não será definida apenas pela capacidade da inteligência artificial de gerar respostas, mas pela sua capacidade de executar ações no mundo real.

E, para isso, a infraestrutura financeira será uma das principais fundações dessa nova etapa.

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