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Opinião: O novo símbolo do sucesso masculino é a presença

Presença familiar ganha protagonismo frente à disponibilidade contínua, moldando um novo modelo de gestão para atrair talentos e reter profissionais

A paternidade ativa molda líderes mais equilibrados e a cultura organizacional contemporânea (AYO-Production/Shutterstock)

A paternidade ativa molda líderes mais equilibrados e a cultura organizacional contemporânea (AYO-Production/Shutterstock)

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Publicado em 9 de agosto de 2026 às 07h00.

Por Richard Stad, CEO da Aramis Inc.

Durante muito tempo, o sucesso masculino foi medido por indicadores fáceis de identificar: agendas lotadas, viagens constantes, metas superadas e disponibilidade permanente.

Quanto menos tempo sobrava, maior parecia ser o reconhecimento.

Mas essa lógica começa a perder força.

O mercado mudou porque as pessoas mudaram. E uma das transformações mais relevantes da nossa geração talvez esteja justamente na forma como os homens enxergam o próprio sucesso.

A paternidade ajuda a explicar essa mudança.

Ser pai sempre significou responsabilidade. Hoje, significa também presença.

Participar da rotina dos filhos, dividir o cuidado, acompanhar os momentos importantes e entender que existem conquistas que nenhuma carreira consegue substituir.

A redefinição no ambiente corporativo

Essa transformação vai muito além da vida pessoal. Ela está redefinindo a forma como lideramos empresas, construímos culturas organizacionais e até como consumimos.

Durante muitos anos, confundimos dedicação com disponibilidade irrestrita.

Valorizamos líderes que estavam sempre conectados, respondiam a qualquer hora e faziam do excesso de trabalho um símbolo de comprometimento.

Hoje, os melhores líderes são aqueles capazes de formar equipes de alta performance sem transformar a exaustão em regra.

São profissionais que entendem que produtividade, criatividade e inovação dependem de pessoas inteiras — e não apenas de profissionais disponíveis vinte e quatro horas por dia.

Essa não é apenas uma discussão sobre qualidade de vida. É uma discussão sobre competitividade.

Empresas que conseguem criar ambientes mais equilibrados atraem melhores talentos, fortalecem a cultura e constroem relações mais duradouras com colaboradores e consumidores.

Em um mercado onde pessoas fazem a diferença, cultura deixou de ser um tema de RH para se tornar uma vantagem estratégica.

Novos padrões de consumo masculino

Essa mudança também aparece no comportamento de consumo.

O homem de hoje não procura apenas uma boa camisa ou um bom terno. Ele busca soluções que acompanhem uma rotina muito mais dinâmica, em que trabalho, família, lazer e bem-estar deixaram de ocupar espaços separados.

A roupa precisa funcionar para uma reunião importante, mas também para buscar os filhos na escola.

Precisa acompanhar uma viagem de trabalho, um jantar em família ou um fim de semana de descanso.

Mais do que vestir uma ocasião, ela precisa acompanhar diferentes papéis que esse homem desempenha ao longo do dia.

Por isso acredito que as marcas também precisam amadurecer.

Durante muito tempo falamos sobre produto, tecnologia, performance e inovação. Continuaremos falando sobre tudo isso.

Mas nenhuma inovação faz sentido se ela não responder às transformações humanas que estão acontecendo.

As empresas que liderarão o futuro não serão necessariamente aquelas que lançarem mais produtos ou adotarem mais tecnologia.

Serão aquelas capazes de compreender as mudanças culturais antes que elas se tornem óbvias.

É exatamente isso que estamos vivendo.

O verdadeiro legado do sucesso

O sucesso continua sendo importante. Crescimento, resultados e inovação continuam sendo fundamentais para qualquer negócio.

Mas talvez a maior mudança seja entender que sucesso deixou de significar apenas aquilo que conquistamos profissionalmente. Ele também passa por aquilo que escolhemos viver.

Os negócios continuarão crescendo, novas metas serão estabelecidas e novos desafios surgirão.

E existe algo que aproxima profundamente a paternidade da liderança: em ambos os papéis, as pessoas aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso.

Nossos filhos, nossas equipes e as próximas gerações observam menos o que dizemos e muito mais a forma como agimos no dia a dia.

São as atitudes, as escolhas e a presença que constroem confiança.

Porque, no fim, tanto na paternidade quanto na liderança, o verdadeiro legado não está no que falamos, mas no exemplo que deixamos.

É isso que cria conexões duradouras e torna a passagem de bastão, para nossos filhos ou para os líderes que ajudamos a formar, algo realmente transformador.

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