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Opinião: O gestor do futuro vai liderar humanos e robôs

Com agentes de IA assumindo tarefas operacionais, gestores terão de coordenar equipes híbridas e concentrar a liderança na estratégia

Gestores passarão a liderar equipes híbridas, combinando pessoas e agentes de IA para transformar tecnologia em melhores decisões (Who is Danny/Shutterstock)

Gestores passarão a liderar equipes híbridas, combinando pessoas e agentes de IA para transformar tecnologia em melhores decisões (Who is Danny/Shutterstock)

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Publicado em 27 de agosto de 2026 às 15h00.

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Por Mauricio Frizzarin*

Durante décadas, liderar equipes significou desenvolver pessoas, distribuir responsabilidades, acompanhar resultados e tomar decisões. A essência da liderança sempre esteve ligada à capacidade de transformar talento em desempenho coletivo.

Essa premissa continua válida, mas sofrerá adaptações, visto que, pela primeira vez, gestores passarão a liderar não apenas pessoas, mas os chamados Agentes de IA.

Essa transformação acompanha a própria evolução da Inteligência Artificial no ambiente corporativo. Inicialmente, a tecnologia era utilizada para responder perguntas, produzir conteúdos e apoiar análises, agora ela assume atividades operacionais completas e se torna parte da execução do trabalho.

Essa mudança, inclusive, já pode ser observada em diferentes setores. Agentes inteligentes monitoram indicadores financeiros, realizam conciliações bancárias, acompanham obrigações fiscais, organizam documentos, respondem solicitações de clientes, atualizam sistemas e apoiam processos comerciais.

Enquanto isso, os profissionais passam a dedicar mais tempo àquilo que realmente gera vantagem competitiva, que são atividades ligadas à análise, negociação, inovação, relacionamento e tomada de decisão.

A velocidade dessa transformação é confirmada pelas principais pesquisas globais sobre Inteligência Artificial. O estudo The State of AI 2025, da McKinsey, mostra que 88% das organizações já utilizam IA em pelo menos uma função do negócio, enquanto o uso de agentes inteligentes começa a avançar da fase experimental para operações em escala.

A consultoria observa que as empresas que mais capturam valor não utilizam a tecnologia apenas para automatizar tarefas, mas para redesenhar processos inteiros e criar novos modelos operacionais.

A liderança muda com os agentes de IA

É justamente aí que a liderança muda de natureza. Afinal, durante muito tempo, grande parte da rotina dos gestores esteve concentrada na supervisão da execução. Cabia aos líderes distribuir atividades, acompanhar tarefas, controlar prazos e garantir que a operação funcionasse.

Com os agentes de IA assumindo uma parcela crescente dessas rotinas, o papel da liderança passa a ser focado na coordenação estratégica.

Assim, o desafio passa a ser organizar equipes híbridas, nas quais profissionais e agentes inteligentes trabalham de forma complementar.

Caberá ao gestor definir quais atividades permanecem sob responsabilidade humana, quais podem ser delegadas à IA, como garantir a qualidade das informações utilizadas pelos agentes e de que maneira integrar tecnologia e talento humano em torno dos objetivos do negócio.

Agentes inteligentes já assumem atividades operacionais

Essa realidade já começa a aparecer em empresas de diferentes portes. Na área financeira, agentes monitoram recebimentos, identificam inconsistências e executam conciliações. Nos escritórios de contabilidade, acompanham alterações tributárias, organizam documentos e automatizam rotinas fiscais.

No atendimento ao cliente, realizam o primeiro contato, qualificam demandas e encaminham situações complexas para especialistas.

Em todos esses casos, o trabalho humano deixa de estar concentrado na execução repetitiva e passa a gerar valor por meio da interpretação, do relacionamento e da decisão.

Novas competências para a liderança do futuro

Naturalmente, as lideranças precisarão desenvolver e combinar competências. Saber interpretar dados será tão importante quanto compreender pessoas. Conhecer processos será tão relevante quanto dominar ferramentas tecnológicas.

Será imprescindível saber integrar diferentes competências, incluindo a coordenação de agentes inteligentes, que trabalharão continuamente ao lado das equipes.

Essa evolução amplia ainda mais a responsabilidade dos gestores. Afinal, quanto maior for a autonomia dos agentes, maior deverá ser o cuidado com governança, segurança da informação, qualidade dos dados e supervisão humana.

A Inteligência Artificial pode executar atividades com velocidade e consistência, mas continua incapaz de substituir julgamento, ética, empatia e visão estratégica, uma percepção que aparece no estudo Future of Jobs Report 2025, do Fórum Econômico Mundial, que aponta que pensamento analítico, liderança, influência social, aprendizagem contínua e adaptabilidade estarão entre as competências mais valorizadas pelas empresas até o fim da década.

Em outras palavras, à medida que a tecnologia assume parte da execução, cresce a importância das capacidades exclusivamente humanas.

Gestores vão coordenar uma força de trabalho híbrida

Por isso, acredito que a IA não diminuirá a relevância dos gestores. Fará exatamente o contrário.

Visto que, além de administrar recursos, os líderes passarão a coordenar uma força de trabalho híbrida, formada por pessoas e agentes de IA, equilibrando tecnologia, estratégia e julgamento humano.

A vantagem competitiva deixará de estar apenas na adoção da IA e passará a depender da capacidade de liderar esse novo modelo de organização.

As empresas com melhor desempenho serão aquelas que tiverem líderes capazes de transformar tecnologia em melhores decisões, com equipes mais produtivas e organizações mais inteligentes.

Afinal, o gestor do futuro será lembrado pela capacidade de fazer pessoas e agentes trabalharem juntos para alcançar resultados que nenhum deles conseguiria atingir sozinho.

*Mauricio Frizzarin é fundador e CEO da QYON, empresa norte-americana especializada em inteligência artificial e agentes de IA. Frizzarin cursou Tecnologia de Software e Marketing, OPM (Owner/President Management) na Harvard Business School, Executive Education em Inteligência Artificial na University of California, Berkeley e em Fintech em Harvard.

 

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