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SC lidera em quatro pilares avaliados, entre eles Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social (Leandro Fonseca/Exame)
Editor da Região Sul
Publicado em 27 de agosto de 2026 às 15h00.
Última atualização em 27 de agosto de 2026 às 15h11.
Faltou pouco para a região Sul fazer barba, cabelo e bigode no Ranking de Competitividade dos Estados, divulgado nesta quinta-feira (27) pelo Centro de Liderança Pública (CLP).
Santa Catarina assumiu pela primeira vez a liderança nacional, com 87,06 pontos, enquanto o Paraná aparece em terceiro e o Rio Grande do Sul, em quarto. Entre eles está apenas São Paulo, que perdeu o primeiro lugar e ocupa agora a segunda posição, com 80,68 pontos.
Elaborado em parceria com a Tendências Consultoria, o levantamento chega à 15ª edição avaliando o desempenho das 27 unidades da Federação em áreas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social.
A edição de 2026 marca um momento histórico não somente para o avanço dos três estados, mas também para o para o estudo. Santa Catarina, que entrou na série em 2016 na terceira colocação, avançou para o segundo lugar no ano seguinte e permaneceu nessa posição por nove edições consecutivas, entre 2017 e 2025. Agora, chega pela primeira vez ao topo da classificação.
O resultado catarinense não está concentrado em apenas uma área. O estado lidera quatro dos dez pilares analisados: Capital Humano, Potencial de Mercado, Segurança Pública e Sustentabilidade Social.
A consistência aparece no conjunto da avaliação. Santa Catarina figura entre os cinco primeiros colocados em todos os critérios considerados pelo estudo, que também contempla Infraestrutura, Educação, Solidez Fiscal, Eficiência da Máquina Pública, Sustentabilidade Ambiental e Inovação.
O avanço de Santa Catarina foi resultado de uma estratégia iniciada em 2023, quando a Secretaria de Estado da Fazenda catarinense comparou o desempenho local com o de São Paulo e Paraná, então primeiro e terceiro colocados, e identificou a Solidez Fiscal, pilar no qual o estado aparecia em sétimo lugar, como o principal desafio.
“Mais importante do que a fotografia daquele ano foi a decisão de utilizar o ranking como ferramenta de planejamento e acompanhamento de políticas públicas. Transformamos os dados em informações e implementamos uma série de ações que envolveram todo o Governo do Estado, traçando metas para buscar os melhores resultados”, explica Cleverson Siewert, secretário de Estado da Fazenda de Santa Catarina.
O protagonismo sulista também é sustentado pelo Paraná, terceiro colocado na classificação geral, com 76,3 pontos. O estado ocupa a terceira posição nacional nos pilares de Infraestrutura e Sustentabilidade Ambiental, aparece em quarto em Capital Humano e Segurança Pública e fica em quinto em Inovação e Sustentabilidade Social.
O principal avanço paranaense ocorreu na Segurança Pública. O estado ganhou seis posições, passando do décimo para o quarto lugar e retornando ao grupo dos cinco melhores do país nesse quesito.
Também houve evolução em Potencial de Mercado, com a subida de três colocações e a chegada ao sétimo lugar. Em Infraestrutura e Sustentabilidade Ambiental, o Paraná avançou duas posições e passou da quinta para a terceira colocação.
O Rio Grande do Sul completa a presença regional no topo ao alcançar o melhor desempenho de sua história. Com 68 pontos, avançou uma posição em relação a 2025 e aparece no quarto lugar nacional.
A trajetória gaúcha mostra uma evolução contínua. Em 2021, o estado ocupava a nona posição. Subiu para a sexta em 2022, chegou à quinta em 2023, manteve o resultado em 2024 e 2025 e voltou a avançar nesta edição.Além da quarta posição geral, o Rio Grande do Sul lidera dois pilares: Eficiência da Máquina Pública e Inovação.
A presença simultânea dos três estados entre os quatro primeiros mostra que a competitividade do Sul não depende de um desempenho isolado. Apesar das diferenças econômicas e administrativas, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul apresentam resultados consistentes em gestão pública, ambiente de negócios, formação de profissionais e capacidade de inovação.
Mesmo depois de perder a liderança geral, São Paulo permanece como referência nacional. Além da segunda posição, o estado ocupa o primeiro lugar nos pilares de Educação, Infraestrutura e Sustentabilidade Ambiental.
Na sequência dos quatro primeiros aparece o Espírito Santo, que também alcançou a melhor colocação de sua história. O estado avançou duas posições, chegou ao quinto lugar e preservou a liderança nacional em Solidez Fiscal.
O Centro-Oeste colocou todas as suas unidades entre as dez primeiras da classificação. O Distrito Federal, líder regional, aparece em sexto, seguido por Goiás, em oitavo; Mato Grosso, em nono; e Mato Grosso do Sul, em décimo. Entre eles está Minas Gerais, que ocupa a sétima posição.
A concentração dos quatro representantes do Centro-Oeste no grupo dos dez melhores é acompanhada por desempenhos de destaque em áreas como Capital Humano, Eficiência da Máquina Pública, Solidez Fiscal e Sustentabilidade Ambiental.
No Norte e no Nordeste, os maiores avanços foram registrados por Amazonas e Ceará, que ganharam três posições cada. O Ceará chegou ao 11º lugar, retomou a liderança nordestina e passou a ser o estado mais competitivo das duas regiões.
O Amazonas subiu para a 14ª colocação e assumiu a liderança do Norte, com resultados relevantes em Segurança Pública, Eficiência da Máquina Pública, Solidez Fiscal e Inovação.
Outras unidades também apresentam desempenhos expressivos em pilares específicos. Alagoas, na 19ª posição geral, lidera o país em Inovação. O Maranhão, em 23º, ocupa o terceiro lugar em Solidez Fiscal, enquanto o Piauí, na 21ª colocação, aparece em terceiro em Potencial de Mercado.
A Paraíba, 12ª no ranking geral, destaca-se em Infraestrutura. O Rio Grande do Norte, em 15º, está entre os melhores do país em Segurança Pública. Já Roraima, na 22ª posição, alcançou o segundo lugar nacional em Potencial de Mercado, o melhor resultado da Região Norte em um dos pilares avaliados.
Entre os estados que mais evoluíram de 2025 para 2026 também aparecem o Rio de Janeiro, que ganhou duas posições e chegou ao 13º lugar, além de Rio Grande do Sul, Mato Grosso e Piauí, todos com avanço de uma colocação.
Na outra ponta da classificação, os três últimos lugares são ocupados por estados da Região Norte. O Pará aparece na 25ª posição, com 32,81 pontos, seguido pelo Acre, em 26º, com 24,73, e pelo Amapá, último colocado, com 24,5 pontos.
A diferença de 62,56 pontos entre Santa Catarina e Amapá expõe a distância entre os extremos da classificação. Ao mesmo tempo, os resultados específicos mostram que uma posição inferior no quadro geral não impede um estado de se tornar referência nacional em determinadas áreas.
O Ranking de Competitividade dos Estados considera 100 indicadores, distribuídos por dez pilares. A edição de 2026 também incorporou o índice de feminicídios, ampliando a capacidade da análise de retratar os desafios relacionados à segurança e aos direitos das mulheres.
“O Ranking de Competitividade dos Estados mostra que o fortalecimento das políticas públicas e da capacidade de gestão tem produzido resultados concretos em todas as regiões do país. Mais do que identificar quem lidera, o ranking oferece evidências para que gestores públicos possam aprender com as melhores práticas e acelerar a construção de estados mais eficientes, inovadores e capazes de oferecer melhores oportunidades para a população”, afirma Tadeu Barros, diretor-presidente do CLP.
Com Santa Catarina na liderança, o Paraná em terceiro e o Rio Grande do Sul em quarto, a classificação apresenta uma fotografia incomum: entre os quatro estados mais competitivos do Brasil, três estão na mesma região. O levantamento completo pode ser consultado no site oficial rankingdecompetitividade.org.br.