O Marketing também tem potencial de impacto social (FG Trade/Getty Images)
Colunista Bússola
Publicado em 23 de dezembro de 2025 às 13h00.
Durante muito tempo, acreditou-se que fazer o bem em silêncio era a única forma legítima de generosidade. A frase "o bem não se publica" foi repetida tantas vezes que se tornou uma espécie de regra moral.
Talvez seja hora de questionar esse pensamento, porque se o marketing for usado para provocar transformação real e inspirar outros negócios a fazerem o mesmo, então talvez o problema não esteja na visibilidade, mas sim na omissão.
Mostrar que é possível também tem valor e quando bem conduzida, essa exposição não significa vaidade nem oportunismo, significa motivação. Redes sociais, por exemplo, podem ser um palco para o ego, sim, mas também podem ser ferramentas poderosas de inspiração coletiva.
Podem servir para lançar produtos, mas também para lançar ideias, causas e atitudes que geram impacto, e quando isso acontece, nasce o que chamo de marketing do bem.
Estamos vivendo uma era em que empresas são cobradas por posicionamento, valores e atitudes concretas. Não basta entregar um bom serviço, é preciso mostrar para o que, e para quem, a marca existe.
Aqui que o marketing ganha uma nova função de não apenas comunicar, mas conectar histórias, propósitos, pessoas e realidades distintas. Conectar quem pode com quem precisa e quem inspira com quem está buscando coragem para começar.
Quando uma empresa usa seus canais para mostrar uma ação social verdadeira, o alcance é multiplicado, a pessoa beneficiada ganha visibilidade, autoestima e dignidade.
O público se sente envolvido, representado e motivado, e a marca, por sua vez, se fortalece como agente de transformação, se diferencia no mercado e constrói um tipo de valor que não se mede apenas em faturamento, mas em relevância.
Já testemunhei isso na prática. Ao compartilhar nas minhas redes sociais a história de alguém que atendia as clientes em praça pública e que foi acolhido pela minha equipe com formação completa, estrutura e oportunidade de recomeçar, não estava apenas mostrando um gesto.
Estava mostrando um caminho, um modelo que pode ser repetido por outras marcas, em outras escalas, com os recursos que cada uma tem. O resultado foi surpreendente, porque dezenas de empreendedores me escreveram dizendo que decidiram criar seus próprios projetos sociais a partir daquele post.
Isso é corrente do bem, impacto com efeito dominó, é o que acontece quando a gente entende que o bem, além de ser feito, também precisa ser visto. Porque o que se vê, se replica, o que emociona, inspira e o que inspira, transforma.
O marketing do bem não é sobre autopromoção, é sobre autorresponsabilidade, sobre colocar os olhos, o coração e a estrutura, a serviço de algo maior.
Sobre fazer do seu negócio uma ponte e não um pedestal e mais do que isso, é sobre entender que a reputação de uma marca se constrói também nos bastidores, mas se consolida quando os bastidores ganham luz.
Em um país com tantas desigualdades, tantos talentos invisíveis e tantas histórias esperando uma chance, não podemos desperdiçar a potência que temos nas mãos. Se uma empresa tem audiência, ela tem poder e se ela tem poder, tem também responsabilidade.
O verdadeiro problema não está em quem mostra, está em quem vê e não se move, está em quem julga, mas não contribui, em quem cobra, mas não age. Mostrar que é possível não é se exibir, é abrir caminho.
Por isso, não tenho medo de dizer que venham mais ações com esse tipo de motivação, que mais marcas se comprometam com causas reais.
Que mais empreendedores descubram que fazer o bem também é uma estratégia de crescimento, da empresa, das pessoas e da sociedade como um todo. Porque o bem atrai o bem e quando isso acontece, todo mundo ganha.