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Opinião: em tech, logística não pode ser tratada apenas como custo

Entenda por que preocupação exagerada com o frete mais barato pode destruir a reputação de marcas que dominam a tecnologia

A logística estratégica é o ponto de contato mais decisivo para a confiança do cliente (Bodo Schackow/picture alliance/Getty Images)

A logística estratégica é o ponto de contato mais decisivo para a confiança do cliente (Bodo Schackow/picture alliance/Getty Images)

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Publicado em 16 de fevereiro de 2026 às 15h00.

Por Vinicius Pessin*

Empresas de tecnologia se consolidaram como referências em inovação, dados e experiência digital, mas seguem cometendo um erro básico de gestão ao tratar a logística estratégica como custo e não como parte central da estratégia.

É curioso observar como negócios que dominam inteligência artificial, automação e personalização ainda encaram a entrega como um mal necessário.

Tratam como algo a ser barateado, terceirizado e resolvido no fim da cadeia, quando na prática ela é o mais decisivo ponto de contato com o cliente e fator central para a experiência do cliente.

A obsessão pelo frete mais barato

Essa visão limitada nasce, em grande parte, de uma obsessão por preço.

Em vez de pensar logística estratégica como promessa cumprida, muitas empresas tecnológicas continuam tomando decisões baseadas apenas no frete mais barato ou no contrato mais enxuto.

O problema é que o cliente não separa produto de entrega. Quando o prazo falha, a experiência do cliente inteira desmorona, e não há tecnologia no front-end que compense uma promessa quebrada no mundo físico.

Métricas que não geram decisão

Outro sintoma desse erro é o excesso de métricas que não geram decisão. Há dashboards sofisticados, indicadores em abundância e reuniões intermináveis, mas pouco foco no que realmente sustenta a operação.

No fim, quase tudo se resume a duas perguntas simples: a empresa está cumprindo o compromisso de prazo que vende ao cliente e a operação é financeiramente sustentável no longo prazo?

Quando essas respostas não orientam a estratégia, o restante vira ruído operacional. Entenda como o mercado busca alívio na tecnologia perante os altos custos do setor.

Logística preditiva e inteligência de mercado

As organizações que começam a sair desse ciclo entendem que a logística estratégica não pode ser reativa. Chuva, eventos urbanos, sazonalidade e picos de demanda não são exceções imprevisíveis, são variáveis do jogo.

Antecipar cenários deixou de ser diferencial e passou a ser condição mínima para competir. É aqui que a tecnologia faz diferença de verdade, não como discurso, mas como inteligência artificial preditiva capaz de preparar a operação antes que o problema chegue ao cliente.

Confira como a IA já gera lucros reais nas estratégias corporativas.

O mesmo vale para o planejamento estratégico. Muitos planos de longo prazo em empresas de tecnologia nascem ambiciosos, mas se desconectam rapidamente da execução.

Estratégia sem dono vira apresentação bonita. Estratégia com responsabilidade clara, revisão periódica e conexão direta com orçamento vira ferramenta de gestão.

Quando projeção e realidade se encontram com frequência, a empresa deixa de improvisar e passa a construir consistência.

IA como parte ativa do processo decisório

A discussão sobre inteligência artificial escancara ainda mais a diferença de mentalidade.

Há companhias que tratam IA como um projeto técnico e delegam tudo para a área de tecnologia, como se fosse apenas mais um sistema.

Outras entendem que ela precisa atuar no nível mais alto da organização, apoiando decisões estratégicas, combinando visões de negócio, marketing e finanças.

Nesse segundo grupo, a IA não é ferramenta, é parte ativa do processo decisório. Veja como a IA está redefinindo o atendimento e a jornada do consumidor.

Não é coincidência que as maiores plataformas digitais do mundo tenham transformado a entrega em vantagem competitiva.

Elas compreenderam algo simples e poderoso: o cliente não compra apenas um produto, compra a confiança de que aquilo vai chegar como prometido.

Quando a entrega funciona, ninguém percebe. Quando falha, todo o valor construído antes se perde em segundos.

A mudança cultural necessária

Tratar logística como custo é limitante. Enxergá-la como estratégia exige método, disciplina e mudança cultural.

Exige aceitar que a experiência do cliente não termina no clique e que o último quilómetro costuma ser o momento mais emocional da relação com o cliente.

Fique por dentro das tendências globais de logística que impactarão o mercado nos próximos anos.

No fim, as perguntas que realmente importam não são tecnológicas, são estratégicas. Você está medindo o que sustenta a confiança do cliente ou apenas o que é mais fácil de colocar em uma planilha?

E a inteligência artificial que orienta suas decisões está restrita à operação ou sentada à mesa onde o futuro da empresa é definido?

*Vinicius Pessin é cofundador da EuEntrego.com, logtech que conecta varejistas à maior rede de entregadores autônomos do Brasil.

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