Tecnologia e travel techs impulsionam o novo ciclo de crescimento do turismo no Brasil ( d3sign/Getty Images)
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Publicado em 24 de fevereiro de 2026 às 10h00.
Última atualização em 24 de fevereiro de 2026 às 11h54.
Por Jurema Monteiro*
Nas últimas duas décadas, a tecnologia transformou profundamente a forma como as viagens são planejadas, vendidas e consumidas.
O turismo deixou de ser um mercado baseado em intermediações concentradas e informação escassa para se tornar um ecossistema que conecta o digital com o offline, mais aberto e competitivo.
No início dos anos 2000, viajar ainda era um privilégio. Em 2000, menos de 24 milhões de viagens aéreas domésticas foram realizadas no Brasil, segundo dados oficiais do setor.
A informação era limitada, a comparação de preços difícil e a tomada de decisão, restrita.
Foi nesse contexto que houve a chegada das primeiras travel techs ao país. À época, “comprar uma passagem aérea pela internet parecia arriscado para muitos consumidores — e disruptivo para boa parte do mercado.”
O que poucos percebiam é que não se tratava apenas de um novo canal de venda, mas de uma redistribuição estrutural de informação, escala e poder de escolha.
Hoje, os efeitos dessa mudança são evidentes. Em 2024 e 2025, o Brasil superou a marca de 100 milhões de passageiros em viagens aéreas domésticas, vivendo o melhor ciclo recente da aviação e do turismo nacional.
Esse crescimento não é apenas quantitativo. Ele reflete um consumidor mais autônomo, informado e exigente, que planeja e decide suas viagens de forma digital.
Esse novo cenário também desmontou uma narrativa antiga: a de que a tecnologia fragilizaria o setor ao eliminar intermediários. O que ocorreu foi o oposto.
As plataformas digitais ampliaram a distribuição, diversificaram a oferta e incorporaram milhões de novos consumidores ao turismo.
Hoje, o Brasil conta com mais de 200 travel techs em atividade, segundo estudo da Onfly, atuando em áreas como transporte, hospedagem, acomodações, viagens corporativas, meios de pagamento, experiências, dados e inteligência de mercado.
Esse movimento acompanha uma transformação mais ampla do consumo. O comércio eletrônico registrou 33,9 bilhões de acessos nos últimos 12 meses, consolidando o ambiente digital como principal canal de decisão no país.
O turismo se mantém como um dos setores mais relevantes nesse ambiente, especialmente em períodos de alta temporada, demonstrando resiliência e capacidade de tração.
Na América Latina, o cenário é semelhante. Em 2023, o mercado de turismo movimentou cerca de US$ 70 bilhões em reservas, com crescimento consistente dos canais digitais.
As projeções indicam que esse volume pode chegar a US$ 95 bilhões até 2027, de acordo com estudo da Phocuswright. O ponto central não é apenas o crescimento, mas a eficiência e a integração proporcionadas pela tecnologia.
Nesse contexto, espaços de diálogo estruturados tornam-se fundamentais. Não para defender interesses isolados, mas para qualificar o debate, reduzir assimetrias de informação e ajudar a construir soluções que acompanhem a realidade do mercado.
A experiência recente mostra que o turismo cresce quando a inovação é compreendida e incorporada, não quando é tratada como exceção.
O turismo brasileiro já deu provas disso. Ao se abrir ao novo, tornou-se mais acessível, mais diverso e mais conectado à realidade contemporânea.
As travel techs fazem parte dessa trajetória — e seguirão sendo essenciais para conectar pessoas, destinos e oportunidades.
*Jurema Monteiro, coordenadora do Comitê de Travel Techs da Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net)