Bússola

Um conteúdo Bússola

O que é a logística reversa e como ela depende do consumidor?

Entenda como o descarte correto de eletroeletrônicos impulsiona a economia circular e evita a contaminação ambiental por metais pesados

Eletroeletrônicos podem conter metais como cobre, alumínio e outros cuja extração exige grande consumo de energia e gera impactos ambientais relevantes (JBS/Getty Images)

Eletroeletrônicos podem conter metais como cobre, alumínio e outros cuja extração exige grande consumo de energia e gera impactos ambientais relevantes (JBS/Getty Images)

Bússola
Bússola

Plataforma de conteúdo

Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 10h00.

Por Fernando Rodrigues*

O início de um novo ano é um momento propício para renovar hábitos e compromissos, inclusive ambientais, e reforçar a importância da logística reversa de eletroeletrônicos e eletrodomésticos pode ser parte desse movimento.

O que é a logística reversa

O processo de logística reversa consiste no retorno dos produtos após o uso pelo consumidor para o setor empresarial, visando seu reaproveitamento e garantindo assim a destinação final ambientalmente adequada dos materiais.

Ela inverte o fluxo tradicional, coletando itens para reinseri-los nos ciclos produtivos, reduzindo a extração de matéria-prima e promovendo a economia circular.

No caso dos eletroeletrônicos, trata-se de uma necessidade urgente. O Brasil é o maior gerador desse tipo de resíduo na América Latina, com cerca de 2,4 milhões de toneladas por ano, segundo dados da ONU.

No entanto, apenas uma parcela, ainda reduzida, desse volume é destinada por meio de sistemas formais e ambientalmente adequados, o que revela um enorme potencial de avanço.

O papel do consumidor

Neste contexto, há um ponto que precisa ser ressaltado: por mais que esse processo de retorno, após o fim da vida útil dos produtos, envolva também empresas e órgãos ambientais, é o consumidor quem determina se esse sistema funciona ou não.

Nenhum sistema de logística reversa será bem-sucedido se o produto descartado não chegar ao destino correto e é exatamente nesse momento que a escolha do consumidor se torna determinante.

Guardar equipamentos sem uso, descartá-los para a coleta regular de resíduos ou jogá-los no meio ambiente significa não os reinserir no ciclo da economia circular, desperdiçando materiais valiosos e ampliando riscos ambientais e à saúde pública.

Impactos ambientais e metais preciosos

Mas quando o consumidor opta por descartar corretamente um aparelho em desuso, ele contribui para uma cadeia de impactos positivos.

Eletroeletrônicos podem conter metais como cobre, alumínio e outros cuja extração exige grande consumo de energia e gera impactos ambientais relevantes.

Por outro lado, há equipamentos que contêm substâncias potencialmente tóxicas, como chumbo, mercúrio e cádmio, e que podem contaminar o solo e a água quando destinados de forma incorreta.

Ao escolher um ponto de recebimento de resíduos eletroeletrônicos e eletrodomésticos, o consumidor ajuda a evitar que esses materiais sejam lançados no meio ambiente ou manuseados sem qualquer controle técnico, protegendo a saúde das pessoas e dos ecossistemas.

O futuro do descarte consciente

O Brasil avançou nos últimos anos com a estruturação de sistemas de logística reversa, impulsionados pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) e por acordos setoriais que envolvem fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes.

Ainda assim, a capilaridade só se transforma em resultados concretos quando há participação ativa do consumidor.

O início do ano é um momento simbólico para essa mudança de atitude. Em meio à organização da casa, à substituição de equipamentos e à busca por hábitos mais sustentáveis, surge a oportunidade de dar destino adequado ao celular antigo, ao notebook quebrado ou ao eletrodoméstico que já não se usa mais.

Cada item corretamente descartado representa mais materiais reaproveitados e um passo concreto rumo a um modelo de descarte mais responsável.

A transição para uma economia circular não depende somente de tecnologias ou de marcos regulatórios. Ela se constrói a partir de decisões cotidianas. O consumidor brasileiro já demonstrou, em outras frentes, capacidade de engajamento quando entende o impacto de suas escolhas.

Na logística reversa, não é diferente: ao optar pelo descarte correto, ele deixa de ser apenas o começo da cadeia e passa a ser parte ativa da solução.

Em 2026, mais do que renovar promessas, é tempo de transformar intenção em prática. A logística reversa começa em casa e o futuro do meio ambiente e das próximas gerações depende das escolhas que fazemos agora.

*Fernando Rodrigues é engenheiro ambiental e gerente de relações institucionais da ABREEAssociação Brasileira de Reciclagem de Eletroeletrônicos e Eletrodomésticos.

 

Acompanhe tudo sobre:Logística reversa

Mais de Bússola

3 em cada 10 brasileiros usam IA para entender política e economia

O que as lideranças estão negligenciando na formação dos futuros gestores?

85% dos colaboradores sairiam de empresas que não priorizam qualidade de vida

Opinião: apesar da digitalização, bancos ainda precisam de ‘olho no olho’