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O que as lideranças estão negligenciando na formação dos futuros gestores?

Enquanto empresas focam em IA, a falta de autonomia intelectual ameaça criar líderes incapazes de tomar decisões complexas no futuro

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Publicado em 19 de janeiro de 2026 às 15h00.

Vanessa Cerdeira*

O topo das organizações vive hoje uma obsessão necessária: a transformação digital. No entanto, enquanto investimos em infraestrutura tecnológica e Inteligência Artificial, corremos o risco de ignorar uma falha sistêmica na base da pirâmide: o colapso da autonomia intelectual das futuras gerações de líderes.

O perigo da falta de autonomia intelectual

A pergunta que as lideranças devem se fazer hoje não é apenas sobre qual será a tecnologia dominante em 2030, mas sim: quem estará operando essas ferramentas?

Estamos entregando tecnologias de última geração para uma geração que está sendo formada em um vácuo de curadoria, mergulhada em algoritmos de desinformação.

Se não priorizarmos o pensamento crítico e o letramento midiático agora, não teremos gestores capazes de tomar decisões baseadas em fatos. Teremos apenas reprodutores de dados sem filtro.

A educação midiática como estratégia de mercado

Em sociedades com bases educacionais robustas, como as da região nórdica, a educação midiática é tratada como questão estratégica de resiliência.

Na Finlândia, por exemplo, o combate à desinformação faz parte do currículo escolar desde cedo, incentivando estudantes a questionar a origem e a veracidade de cada informação.

Entendeu-se que um profissional que não questiona a fonte da informação é um risco para a economia e para a estabilidade do mercado.

O papel do setor privado na formação

No Brasil, o setor privado tem uma excelente oportunidade de liderar este movimento, investindo também na sustentabilidade intelectual.

Experiências práticas nesse campo mostram que o engajamento e a compreensão de texto chegam a subir para mais de 95% quando o conteúdo é conectado à realidade dos fatos e traduzido para a linguagem do jovem.

Ao apoiar iniciativas que levam o jornalismo profissional e o letramento econômico para dentro das escolas, as empresas não estão apenas realizando ações pontuais de responsabilidade social; elas estão fortalecendo a base informativa dos seus futuros colaboradores e consumidores.

É a garantia de que o próximo tomador de decisão terá repertório e, acima de tudo, discernimento para compreender a economia e o mundo ao seu redor com autonomia.

ESG e o pensamento crítico

O ESG que ignora a formação do pensamento crítico é incompleto. A integridade de qualquer organização no futuro dependerá, invariavelmente, da integridade intelectual de quem a lidera.

É a transição do discurso de impacto para a construção efetiva de uma sociedade consciente e preparada para os desafios que virão para os novos gestores.

*Vanessa Cerdeira é especialista em marketing educacional, atuando como diretora de marketing e relacionamento na Editora Magia de Ler, que é pioneira no Brasil em jornalismo infantojuvenil e responsável pelas publicações Joca e Tino Econômico.

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