A valorização da identidade regional impulsiona o crescimento estratégico do turismo brasileiro (Rafael Martins/GOVBA/Divulgação)
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Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 15h00.
Por Kaká Marinho*
O turismo brasileiro deixou de ser medido apenas pelo fluxo de visitantes e passou a ser definido pela capacidade de gerar valor econômico, social e reputacional.
Em um mercado cada vez mais competitivo, identidade cultural e experiência tornaram-se fatores estratégicos para destinos, empresas e comunidades.
Os resultados recentes refletem essa transformação. Em 2025, o Brasil registrou cerca de 9,3 milhões de turistas estrangeiros e US$ 7,9 bilhões em receitas, o maior volume da série histórica.
O avanço é acompanhado pelo impacto econômico de grandes eventos. O Carnaval de 2026 movimentou R$ 18,6 bilhões, alta de 10% em relação ao ano anterior.
Este foi o melhor resultado para fevereiro desde 2011, segundo estimativa do Ministério do Turismo com base em dados da CNC e da FecomercioSP.
Também estamos vivenciando outro fenômeno. Mais do que crescimento em números, os dados revelam uma mudança no comportamento do viajante.
O público busca conexão com os territórios, vivências personalizadas e impacto positivo nas comunidades visitadas.
Nos bastidores de eventos e experiências que acompanho, do Carnaval às ativações institucionais, percebo que o diferencial não está apenas no palco.
O diferencial está em toda a cadeia produtiva que sustenta o espetáculo. O segmento cresceu quase 9% no país, segundo levantamento da Paytour.
Esse crescimento é impulsionado pela busca por vivências mais imersivas e jornadas planejadas com maior intenção pelo consumidor.
O visitante não quer apenas conhecer um destino, mas compreender sua cultura, participar de sua dinâmica local e construir uma relação mais significativa com o lugar.
Essa mudança reposiciona a identidade regional como ativo econômico.
Elementos antes vistos apenas como expressão cultural passam a desempenhar papel central na competitividade do setor.
Valorizar narrativas locais, gastronomia, tradições, produção artesanal e saberes do território fortalece a identidade dos destinos e amplia o valor percebido.
Quando as comunidades participam da construção da experiência turística, os benefícios vão além da atração de visitantes.
Há geração de renda, fortalecimento da economia local, desenvolvimento sustentável e construção de reputação no mercado global.
O turismo passa a atuara como vetor de desenvolvimento territorial. Para empresas e gestores públicos, investir em identidade local não é apenas estratégia de posicionamento, mas decisão de negócio.
A integração entre cultura, experiência do consumidor e narrativa de marca gera diferenciação competitiva e cria vínculos duradouros com o público.
Em um cenário de alta concorrência entre destinos, a autenticidade torna-se um diferencial difícil de replicar.
O marketing de influência regional também assume papel relevante nesse processo.
Criadores de conteúdo locais atuam como intérpretes do território, traduzindo suas características com credibilidade e proximidade.
Parcerias estruturadas com esses influenciadores fortalecem a reputação e ampliam o alcance das estratégias de posicionamento.
Embora indicadores e recordes apontem para o crescimento do turismo brasileiro, são as experiências enraizadas nas pessoas, nos territórios e na cultura local que definem a competitividade no longo prazo.
Dados do relatório Unpack 2026, da Expedia Group, mostram que os viajantes priorizam cada vez mais experiências autênticas e personalizadas.
Isso reforça a transição do setor para um modelo orientado por propósito e geração de valor compartilhado.
O futuro do turismo será determinado pela capacidade de transformar identidade em estratégia de desenvolvimento.
Destinos e empresas que reconhecem a regionalidade como ativo econômico constroem vantagem competitiva sustentável e ampliam suas oportunidades de crescimento.
Quem ainda trata a identidade apenas como estética e não como estratégia corre o risco de ficar para trás.
O mercado está cada vez mais orientado pela experiência, pela autenticidade e pela conexão com o território.
*Kaká Marinho, especialista em Relações Públicas e marketing de experiência e Embaixadora do Sebrae na pauta de inovação e economia criativa.