Peter Mandelson: ex-embaixador britânico nos EUA foi preso sob suspeita de de má conduta em cargo público (Peter Nicholls/Getty Images)
Repórter
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 14h41.
Última atualização em 23 de fevereiro de 2026 às 14h50.
A Polícia inglesa confirmou a prisão de Peter Mandelson, ex-embaixador britânico nos Estados Unidos, nesta segunda-feira, 23, em Londres. O comunicado oficial emitido pelas autoridades afirmou que ele foi encaminhado a uma delegacia para interrogatório.
A ação ocorreu após o cumprimento de mandados de busca em dois endereços localizados nas regiões de Wiltshire e Camden. As diligências integram uma investigação criminal iniciada neste mês.
A detenção ocorre após a divulgação, no fim de janeiro, de e-mails pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos que, segundo os documentos, indicam que o ex-embaixador britânico Peter Mandelson teria compartilhado informações confidenciais com Jeffrey Epstein enquanto integrava o gabinete do governo britânico. A polícia passou a investigar o caso após a publicação dos arquivos, que somam cerca de 3 milhões de páginas.
Caso Epstein: documentos revelam que bilionário americano tinha CPF brasileiroDe acordo com o material divulgado, Mandelson teria encaminhado mensagens internas de Downing Street, sede do governo britânico, relacionadas a propostas de política tributária em 2009, período em que atuava no gabinete do então primeiro-ministro Gordon Brown. Em uma das mensagens, ele teria acrescentado a observação: “Nota interessante que foi para o primeiro-ministro”, informou a Bloomberg.
Os documentos incluem um memorando privado redigido por um assessor sênior do gabinete de Brown, em 13 de junho de 2009, com propostas de incentivos fiscais para estimular o investimento do setor privado após a crise financeira internacional. O texto também mencionava a possibilidade de vendas de ativos no valor de 20 bilhões libras (equivalentes a US$ 27,4 bilhões), com o objetivo de reduzir a dívida pública. O memorando foi compartilhado no mesmo dia em que foi elaborado, segundo os registros divulgados.
Em outro e-mail, datado de 10 de maio de 2010, Mandelson teria informado a Epstein que Brown pretendia renunciar como líder do Partido Trabalhista e primeiro-ministro horas antes do anúncio oficial. Na mensagem, ele escreveu que havia conseguido convencê-lo a deixar o cargo naquele dia.
A investigação impacta o governo liderado por Keir Starmer. No fim de 2024, Starmer nomeou Mandelson como embaixador do Reino Unido nos Estados Unidos, apesar de vínculos anteriores com Epstein já serem de conhecimento público. Após novas revelações, o chefe de gabinete, o chefe de comunicações e o secretário do gabinete do primeiro-ministro deixaram seus cargos. Parlamentares do Partido Trabalhista também pediram a saída de Starmer.
Starmer havia reconduzido Mandelson à cena diplomática para apoiar a gestão das relações com os Estados Unidos após o retorno de Donald Trump à Casa Branca e a escalada de tensões comerciais entre os dois países. Em setembro, o primeiro-ministro o exonerou após reportagem da Bloomberg detalhar as conexões entre Mandelson e Epstein.
Na Câmara dos Comuns, em 4 de fevereiro, Starmer declarou que a relação de Mandelson com Jeffrey Epstein foi mencionada durante o processo de verificação prévio à nomeação para o posto em Washington.
O governo também recebeu solicitação para divulgar documentos relacionados à nomeação. A Comissão de Inteligência e Segurança do Parlamento, composta por parlamentares de diferentes partidos, analisa parte do material que o Executivo pretende reter sob alegação de segurança nacional. Até o momento, nenhum documento adicional foi tornado público, em meio a apelos da polícia para que informações não prejudiquem a investigação em curso.
A prisão de Mandelson ocorre uma semana após o ex-príncipe Andrew ser preso pelas autoridades britânicas por envolvimento com Epstein. O irmão do rei Charles III, foi detido nesta quinta-feira e, mais de 10 horas depois, deixou a delegacia de Aylsham, no condado de Norfolk. Ele também foi preso sob suspeita de má conduta no exercício de cargo público.
A prisão de Andrew ocorreu cerca de uma semana após a polícia do Reino Unido abrir investigação para apurar se o ex-príncipe teria enviado relatórios confidenciais a Jeffrey Epstein enquanto atuava como representante especial do país para o Comércio Internacional.
Entenda as relações entre o ex-príncipe Andrew e EpsteinCaso seja considerado culpado por má conduta no exercício de cargo público, ele pode enfrentar pena de prisão perpétua. Um especialista ouvido pela BBC informou que Andrew será colocado “em uma cela em uma ala de custódia”, equipada apenas com uma cama e um vaso sanitário, onde permanecerá até prestar depoimento. Segundo a fonte, ele não deverá receber tratamento diferenciado. A legislação permite que a polícia o mantenha detido por até 96 horas.