Feira internacional NRF revelou insights importantes para o varejo em 2026
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Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 07h00.
O encerramento da NRF Big Show 2026 consolidou uma mudança de paradigma no varejo mundial. Em edições passadas o foco estava na experiência do cliente. O evento deste ano deixou claro que a sobrevivência do setor agora depende da maturidade dos bastidores das empresas
Em destaque, encontra-se a logística de precisão, ou “fulfillment”. Com taxas de devolução no e-commerce global atingindo picos de 40% em categorias específicas, como no setor de moda, a precisão do estoque deixou de ser um tema técnico para se tornar uma questão de solvência.
Painéis apresentados por marcas, como Amazon e Adidas reforçaram que a "logística de confiança", que envolve entrega rápida, acuracidade de inventário e rastreio em tempo real, é hoje a ferramenta de marketing mais eficaz para retenção de clientes.
No cenário B2B, essa necessidade é ainda mais latente: o lojista moderno deseja a garantia de que o produto estará na prateleira no momento exato da demanda.
"Historicamente, o varejo olhava para a logística como um centro de custos. O que vemos agora é uma inversão completa: o fulfillment de precisão tornou-se a ferramenta de fidelização mais poderosa que uma marca pode ter. A eficiência operacional virou o novo marketing", afirma Omar Jarouche, CRO da Inventa.
Para o mercado brasileiro, as lições da NRF 2026 ganham uma camada adicional de complexidade.
A palestra de abertura de Ira Kalish, economista-chefe da Deloitte, alertou para uma economia "bifurcada", onde o consumo é resiliente no topo da pirâmide, mas severamente pressionado na base pelo custo do crédito.
"O varejo brasileiro está diante de um desafio de eficiência micro-operacional", observa Omar Jarouche, porta-voz da Inventa, plataforma que atua na integração logística e financeira entre indústrias e lojistas.
"A NRF confirmou que não é só digitalizar a venda; é preciso digitalizar o fluxo. Quando os juros estão altos, o estoque parado ou a falha logística custam o dobro. A tecnologia que o varejo busca agora é aquela que remove a fricção do meio do caminho, garantindo que o capital de giro circule com mais velocidade."
Agentic Commerce: a transição da busca por palavras-chave para a compra mediada por assistentes de IA, exigindo que marcas tenham dados de catálogo semanticamente ricos e impecáveis.
Fulfillment-as-a-Service: a tendência de marcas se plugarem em ecossistemas logísticos compartilhados para ganhar escala e reduzir custos fixos.
Humanização via automação: o uso de IA para absorver tarefas burocráticas (crédito e triagem de dados), liberando a força de trabalho para o atendimento consultivo e curadoria.
"O que essas tendências revelam é que a tecnologia de ponta está nos devolvendo o varejo de proximidade. Quando a IA resolve a burocracia do crédito e o fulfillment garante a entrega, o que sobra é o tempo para o olho no olho e para a curadoria de produtos”, conclui Omar.