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Opinião: A PME ganha mais do que apenas segurança ao se adequar à LGPD

Especialista explica como a proteção de informações pode evitar prejuízos bilionários e garantir a sobrevivência financeira das empresas

Uso ético de dados garante longevidade e relevância econômica para PMEs brasileiras (Jacob Wackerhausen/Getty Images)

Uso ético de dados garante longevidade e relevância econômica para PMEs brasileiras (Jacob Wackerhausen/Getty Images)

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Publicado em 13 de fevereiro de 2026 às 10h00.

Por Ricardo Maravalhas*

É mais do que constatado que nos últimos anos, desde quando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) entrou em vigor no Brasil, os dados deixaram de ser um ativo abstrato para se tornarem um dos principais motores de competitividade, inovação e crescimento econômico.

Para grandes corporações, esse movimento já é irreversível. Inteligência artificial, personalização de serviços e automação de processos dependem diretamente da coleta e análise de dados.

No universo das pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras, no entanto, essa transformação ainda acontece de forma desigual, lenta e, muitas vezes, arriscada.

O resultado é um paradoxo preocupante: justamente quem mais precisa de eficiência e previsibilidade é quem menos consegue extrair valor econômico dos dados de forma ética e segura.

A vulnerabilidade econômica dos pequenos negócios

Como sabemos, as PMEs (Pequenas e Médias Empresas) representam a espinha dorsal da economia brasileira. Elas respondem por grande parte dos empregos formais, sendo responsáveis por cerca de 80% da contratação da mão de obra e têm papel decisivo na geração de renda local.

Ainda assim, operam em um ambiente cada vez mais vulnerável. Estudos recentes indicam que ataques cibernéticos causaram prejuízos estimados em até R$2,3 trilhões à economia brasileira em 2024, segundo o Instituto Nacional de Combate ao Cibercrime (INCC).

Tais ataques afetam de maneira desproporcional pequenos e médios negócios, que raramente contam com estruturas robustas de segurança da informação.

Riscos sistêmicos e a reputação digital

Em muitos casos, um único incidente de vazamento de dados é suficiente para comprometer o caixa, gerar perda de clientes e até levar empresas ao encerramento das atividades. Não se trata apenas de um problema tecnológico, mas de um risco econômico sistêmico.

Apesar desse cenário, grande parte das PMEs ainda encara a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) como um entrave burocrático, um custo adicional em um ambiente já sufocado por impostos e insegurança jurídica.

Pesquisas como Bluepex Cybersecurity mostram que muitas empresas de pequeno porte sequer compreendem plenamente as exigências básicas da LGPD, quanto mais suas implicações estratégicas.

O valor estratégico da governança de dados

Apenas 15% dos gestores se consideram preparados em relação à LGPD. Essa leitura limitada da legislação ignora um ponto central: a proteção da informação não é apenas uma obrigação legal, mas um fator determinante de confiança, reputação e sustentabilidade econômica.

No cenário internacional, o debate já avançou. Estudos da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) indicam que economias capazes de estruturar o acesso e o compartilhamento ético de dados alcançam ganhos relevantes de produtividade.

Há evidências de que empresas que utilizam dados de forma responsável tomam decisões mais assertivas e aumentam sua capacidade de inovação. Em outras palavras, dados bem governados não apenas protegem, mas geram valor econômico mensurável.

Ética como diferencial de mercado

O problema surge quando o uso de dados ocorre sem critérios claros e transparência. Além de expor empresas a sanções legais, essa prática corrói a confiança do consumidor, um ativo cada vez mais escasso em mercados competitivos.

Pesquisas globais mostram que consumidores tendem a abandonar marcas que não demonstram cuidado com suas informações pessoais. Para uma PME, que depende fortemente de relacionamento e reputação, essa perda pode ser fatal.

No dia a dia, o maior obstáculo não é a falta de vontade, mas a ausência de caminhos acessíveis. Muitas PMEs querem estar em conformidade, mas não encontram soluções compatíveis com sua realidade financeira e operacional.

Ecossistemas de apoio e futuro digital

A solução passa por criar um ecossistema de apoio efetivo. Capacitação prática em proteção de dados, ferramentas tecnológicas acessíveis e políticas públicas de incentivo podem transformar a LGPD em uma alavanca de desenvolvimento econômico.

Programas de treinamento voltados à realidade das PMEs, soluções de governança de dados no modelo de serviço e linhas de crédito específicas para segurança da informação são medidas capazes de reduzir riscos.

Diante desse cenário, o Brasil está diante de uma escolha estratégica. Pode continuar tratando dados apenas como um risco jurídico ou pode reconhecê-los como um ativo econômico fundamental, desde que usados de forma ética e responsável.

A ética no uso de dados não é um freio ao crescimento. Ao contrário, é o que pode garantir confiança, longevidade e relevância em uma economia cada vez mais orientada pela informação.

*Ricardo Maravalhas é fundador e CEO da DPOnet, empresa com mais de 5.000 clientes, que nasceu com o propósito de democratizar, automatizar e simplificar a jornada de conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

Acompanhe tudo sobre:LGPD – Lei Geral de Proteção de DadosPMEs

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