Empresas precisam integrar a resiliência corporativa ao planejamento estratégico de longo prazo (Tirachard/Getty Images)
Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola
Publicado em 11 de março de 2026 às 15h00.
A recorrência e a intensidade dos eventos climáticos extremos deixaram de ser previsões apocalípticas para se tornarem variáveis críticas no balanço financeiro das companhias.
O que antes era tratado como uma externalidade distante agora bate à porta das operações, interrompendo cadeias de suprimentos, encarecendo seguros e desestabilizando mercados consumidores.
Diante da magnitude da emergência climática, a discussão sobre "se" devemos agir foi definitivamente substituída pelo "como" e "quão rápido".
Nesse cenário, os chamados "mapas do caminho" (roadmaps) emergem não apenas como ferramentas de planejamento, mas como as possíveis — e talvez últimas — âncoras de salvação para a viabilidade do sistema econômico.
Conduzidos pela presidência brasileira da COP30, esses documentos focam em dois pilares essenciais para o equilíbrio planetário: o fim do desmatamento e o afastamento dos combustíveis fósseis.
Trata-se de uma iniciativa estratégica que, embora tenha enfrentado resistências nas negociações formais em Belém, ganha fôlego como um processo paralelo essencial para destravar as barreiras políticas, econômicas e financeiras que ainda atravancam a velocidade da transição energética global.
Para o mundo corporativo, esses mapas representam a tradução da ciência climática em linguagem de negócios e estratégia de longo prazo.
Ao abrir consultas para que países e sociedade civil apresentem propostas sobre alavancas de transição e diversidade de contextos nacionais, a presidência da COP30 sinaliza que a solução não será uniforme, mas precisa ser coordenada.
Para as empresas, isso significa a oportunidade de antecipar marcos regulatórios e tecnológicos que serão detalhados até a COP31.
Ignorar essa rota é aceitar o risco de investir em ativos que se tornarão obsoletos em um mundo que busca, por sobrevivência, se desconectar da economia do carbono e da destruição florestal.
A relevância desse tema para o mercado é absoluta porque a crise climática é um risco sistêmico. Quando um evento extremo paralisa uma região industrial ou destrói safras inteiras, o efeito cascata atinge toda a economia.
Portanto, a mitigação não deve ser feita por benevolência, mas como estratégia de preservação de valor. O envolvimento do setor privado deve ser amplo, uma vez que a escala dos investimentos para a mudança de matriz exige capital e agilidade que o mercado domina.
Estabelecer e seguir os mapas do caminho propostos pela liderança brasileira será, portanto, a decisão mais pragmática para qualquer gestor que pretenda garantir a resiliência corporativa e um futuro minimamente viável e próspero.