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Gestão Sustentável: última chamada para a resiliência corporativa

Liderança brasileira em Belém propõe roteiros contra o desmatamento e combustíveis fósseis para salvar a viabilidade do sistema econômico

Empresas precisam integrar a resiliência corporativa ao planejamento estratégico de longo prazo (Tirachard/Getty Images)

Empresas precisam integrar a resiliência corporativa ao planejamento estratégico de longo prazo (Tirachard/Getty Images)

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 11 de março de 2026 às 15h00.

A recorrência e a intensidade dos eventos climáticos extremos deixaram de ser previsões apocalípticas para se tornarem variáveis críticas no balanço financeiro das companhias.

O que antes era tratado como uma externalidade distante agora bate à porta das operações, interrompendo cadeias de suprimentos, encarecendo seguros e desestabilizando mercados consumidores.

Diante da magnitude da emergência climática, a discussão sobre "se" devemos agir foi definitivamente substituída pelo "como" e "quão rápido".

O papel da COP30 e os roadmaps estratégicos

Nesse cenário, os chamados "mapas do caminho" (roadmaps) emergem não apenas como ferramentas de planejamento, mas como as possíveis — e talvez últimas — âncoras de salvação para a viabilidade do sistema econômico.

Conduzidos pela presidência brasileira da COP30, esses documentos focam em dois pilares essenciais para o equilíbrio planetário: o fim do desmatamento e o afastamento dos combustíveis fósseis.

Trata-se de uma iniciativa estratégica que, embora tenha enfrentado resistências nas negociações formais em Belém, ganha fôlego como um processo paralelo essencial para destravar as barreiras políticas, econômicas e financeiras que ainda atravancam a velocidade da transição energética global.

A tradução da ciência para a estratégia de negócios

Para o mundo corporativo, esses mapas representam a tradução da ciência climática em linguagem de negócios e estratégia de longo prazo.

Ao abrir consultas para que países e sociedade civil apresentem propostas sobre alavancas de transição e diversidade de contextos nacionais, a presidência da COP30 sinaliza que a solução não será uniforme, mas precisa ser coordenada.

Para as empresas, isso significa a oportunidade de antecipar marcos regulatórios e tecnológicos que serão detalhados até a COP31.

Ignorar essa rota é aceitar o risco de investir em ativos que se tornarão obsoletos em um mundo que busca, por sobrevivência, se desconectar da economia do carbono e da destruição florestal.

A preservação de valor através da resiliência corporativa

A relevância desse tema para o mercado é absoluta porque a crise climática é um risco sistêmico. Quando um evento extremo paralisa uma região industrial ou destrói safras inteiras, o efeito cascata atinge toda a economia.

Portanto, a mitigação não deve ser feita por benevolência, mas como estratégia de preservação de valor. O envolvimento do setor privado deve ser amplo, uma vez que a escala dos investimentos para a mudança de matriz exige capital e agilidade que o mercado domina.

Estabelecer e seguir os mapas do caminho propostos pela liderança brasileira será, portanto, a decisão mais pragmática para qualquer gestor que pretenda garantir a resiliência corporativa e um futuro minimamente viável e próspero.

 

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