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Gestão Sustentável: como imposto de carbono europeu afeta o Brasil

A expansão do Mecanismo de Ajuste de Carbono (CBAM) taxará 180 produtos, cobrando um alto preço das cadeias globais não alinhadas

Imposto de carbono e regulação ESG da UE transformam a competitividade global das indústrias (wutzkohphoto/Shutterstock)

Imposto de carbono e regulação ESG da UE transformam a competitividade global das indústrias (wutzkohphoto/Shutterstock)

Danilo Maeda
Danilo Maeda

Diretor-geral da Beon - Colunista Bússola

Publicado em 13 de julho de 2026 às 15h00.

A sustentabilidade corporativa há muito deixou de ser apenas um exercício de relações públicas ou um aceno de boa vontade para investidores.

Hoje, ela atua como um filtro rigoroso e implacável para o acesso a mercados globais.

Se ainda restavam dúvidas sobre a materialidade financeira da agenda e sobre como riscos socioambientais impactam negócios, o avanço da regulação internacional impõe a realidade de forma inequívoca.

Um exemplo incontornável desse movimento é a recente aprovação, pela Comissão de Meio Ambiente do Parlamento Europeu, da proposta de expansão do Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira, o conhecido CBAM.

A expansão do CBAM nas cadeias globais

Oficialmente concebido para nivelar o campo de jogo entre a indústria europeia e produtos importados de regiões com regras climáticas menos rigorosas, o CBAM já sinalizava uma profunda transformação nas cadeias globais de valor.

A nova proposta, no entanto, eleva a barra ao incluir cerca de 180 novos produtos manufaturados no escopo de taxação.

Ao abarcar máquinas, ferragens, componentes automotivos, eletrodomésticos e equipamentos de construção, a União Europeia envia uma mensagem clara: o combate ao chamado "vazamento de carbono" não se limitará às indústrias de base, como aço ou cimento.

Ele percorrerá, de maneira incisiva, toda a complexidade das cadeias de suprimentos mundiais.

Impactos financeiros e as exportações brasileiras

O impacto dessa expansão transcende as fronteiras do bloco europeu e atinge em cheio as estratégias de exportação de empresas ao redor do mundo, inclusive as brasileiras.

Para acessar um dos maiores e mais ricos mercados consumidores do planeta, companhias de fora da União Europeia precisarão calcular, reportar e, em última instância, precificar as emissões atreladas à produção de suas mercadorias.

Na prática, o carbono ganha um custo tangível nas planilhas de exportação.

Negócios que operam à margem da eficiência climática enfrentarão barreiras financeiras crescentes, perdendo inevitavelmente a competitividade frente a concorrentes com processos mais limpos.

O combate rigoroso às fraudes tarifárias

Outro ponto de atenção na movimentação europeia é o endurecimento contundente dos mecanismos antievasão.

O cerco está se fechando para as chamadas "maquiagens" de produtos, manobras em que itens sofrem processamentos mínimos e superficiais apenas para se enquadrarem em códigos tarifários isentos da regulação.

O bloco europeu demonstra um amadurecimento rápido e sofisticado na formulação de suas políticas de controle ambiental, fechando brechas regulatórias e combatendo ativamente fraudes de origem.

A transparência e a rastreabilidade absoluta da cadeia de valor tornam-se, assim, requisitos legais incontornáveis, punindo as tentativas de contornar a regra e mitigando riscos.

Fim das compensações e foco tecnológico

Vale notar, ainda, que a exclusão da possibilidade de abater obrigações utilizando créditos de carbono gerados pelo Artigo 6 do Acordo de Paris — conforme estabelecido na versão aprovada pela comissão — reafirma uma tendência cada vez mais consolidada.

A prioridade absoluta e urgente deve ser a descarbonização real das operações e da cadeia de suprimentos, deixando a compensação apenas para aquelas emissões residuais e tecnologicamente inevitáveis.

O imperativo irreversível para as empresas

O que o avanço do imposto de carbono europeu nos mostra é que a transição para uma economia de baixo carbono é irreversível.

Ela avança não apenas pela conscientização, mas pela força coercitiva da regulação e dos instrumentos financeiros de fronteira.

Empresas expostas ao risco da anestesia corporativa que persistem em tratar a sustentabilidade como uma área periférica ou um departamento isolado estão, na verdade, flertando com a obsolescência.

No atual contexto da economia global, integrar variáveis climáticas e socioambientais ao planejamento estratégico não é um mero diferencial de mercado. Sustentabilidade é condição básica para competitividade e sobrevivência.

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