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Meta lança óculos sem câmera para deixar para trás fama de 'óculos de tarado'

Meta prepara óculos inteligentes sem câmera 'Luna', com foco em assistente por voz e IA, em meio a críticas de privacidade e cobranças no Congresso americano

Mark Zuckerberg: executivo é fundador do Facebookf (Andrej Sokolow/Getty Images)

Mark Zuckerberg: executivo é fundador do Facebookf (Andrej Sokolow/Getty Images)

Tamires Vitorio
Tamires Vitorio

Repórter de Inteligência Artificial e Tecnologia

Publicado em 16 de setembro de 2026 às 09h59.

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A Meta prepara o lançamento de um novo modelo de óculos inteligentes sem câmera, batizado internamente de "Luna", segundo o site The Information.

O aparelho pode ser revelado já na próxima semana, durante a conferência anual para desenvolvedores da empresa, o Connect, marcada para os dias 23 e 24 de setembro, com envio das primeiras unidades previsto para outubro — embora os planos ainda possam mudar.

Segundo o Engadget, o Luna deve vir em dois modelos de armação, batizados de Clubmaster e Burbank.

A ausência de câmera é o que diferencia o produto da atual geração de óculos inteligentes da Meta, capazes de capturar fotos e vídeos enquanto usados — mas o aparelho ainda deve contar com seis microfones embutidos e alto-falantes voltados para os ouvidos do usuário, permitindo conversas com o chatbot de inteligência artificial (IA) da empresa por comando de voz.

A fama de 'óculos de tarado' que a Meta tenta deixar para trás

Apesar de venderem bem, os óculos inteligentes da Meta têm sido alvo de críticas por permitirem que usuários gravem pessoas secretamente e as assediem sem consentimento — um problema tão recorrente que críticos já apelidaram os modelos de "óculos de tarado" (pervert glasses, no inglês).

Os aparelhos contam com um recurso de segurança básico: uma luz LED que pisca continuamente durante a gravação.

Mas o mecanismo já foi burlado no passado — era possível adulterar a luz para que ela não acendesse mesmo com a câmera gravando, falha que a empresa corrigiu com uma atualização. Em agosto, a Meta lançou outra atualização para fechar uma brecha que permitia a alguém cobrir a luz do LED depois que a gravação já havia começado, driblando o alerta visual.

Mesmo depois dessas correções, segundo o Engadget, os óculos da Meta já carregam uma má reputação que pode estar afastando parte do público.

Um artigo de opinião publicado pela Forbes em agosto descreveu o problema como uma questão de confiança, não apenas de tecnologia.

Segundo o texto, ativistas argumentam que o único indicador luminoso da Meta é insuficiente para garantir consentimento significativo de quem está por perto, e que a empresa trataria a privacidade como um recurso ajustável, não como um compromisso central do produto.

Reconhecimento facial também gera alerta no Congresso americano

A preocupação com privacidade vai além da câmera visível.

Em carta enviada à Meta, os senadores americanos Ed Markey, Ron Wyden e Jeff Merkley cobraram transparência sobre planos da empresa de integrar tecnologia de reconhecimento facial aos óculos inteligentes — recurso que a própria Meta havia abandonado em todas as suas plataformas em 2021, por preocupações éticas.

Segundo os senadores, um memorando interno revelou que a empresa pretenderia lançar essa tecnologia justamente durante o atual momento político turbulento, para evitar escrutínio público.

"A implantação de óculos inteligentes equipados com reconhecimento facial ameaça os direitos à privacidade e as liberdades civis dos americanos", escreveram os parlamentares, alertando para o risco do produto acelerar a normalização da vigilância em massa nos Estados Unidos.

Segundo o site Geeky Gadgets, o Luna seria um entre quatro novos modelos de óculos inteligentes que a Meta pode revelar no Connect deste ano, incluindo variações do design Ray-Ban com lentes eletrocrômicas, capazes de ajustar o nível de escurecimento sob demanda. O evento também deve apresentar avanços do assistente de IA batizado de "Muse" e uma prévia do Project Phoenix, headset leve de realidade mista da empresa.

Segundo a reportagem, porém, o lançamento de tecnologias de "supersensoriamento" mais avançadas pode atrasar, justamente por causa de preocupações de privacidade ainda não resolvidas.

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