Não se pode mais esperar pelo sonho do dólar (DC Studio/Shutterstock)
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Publicado em 8 de julho de 2026 às 13h00.
Compradores nacionais responderam por 89,8% das aquisições de empresas de tecnologia realizadas no Brasil em 2025, enquanto grupos internacionais representaram 10,2% das transações, segundo o M&A Deals Report da Questum.
Considerando as 245 operações registradas no setor ao longo do ano, esse percentual equivale a aproximadamente 25 aquisições conduzidas por compradores internacionais.
Os dados mostram que, apesar do interesse crescente de investidores estrangeiros, o comprador mais provável para uma empresa brasileira de tecnologia continua sendo um grupo estratégico que já atua no mercado nacional.
Para Guilherme Tossulino, sócio da Questum e responsável por projetos de venda de empresas de diferentes segmentos de tecnologia, o dado exige uma mudança de perspectiva entre os empreendedores.
“Muitos fundadores constroem sua estratégia de saída esperando um comprador internacional e deixam de observar os grupos brasileiros que já possuem capital, conhecimento do mercado e interesse em crescer por meio de aquisições. O comprador estrangeiro existe e pode realizar operações relevantes, porém ele ainda representa uma parcela minoritária do mercado”, afirma.
O levantamento também aponta um índice de 1,16 transação por comprador em 2025, um dos menores níveis de concentração da série histórica da Questum. O resultado indica que as aquisições estão distribuídas entre um número maior de empresas, em vez de permanecerem concentradas em poucos consolidadores.
O movimento ocorre em um cenário no qual companhias médias passam a adotar o crescimento inorgânico como estratégia de expansão. De acordo com o Buy-side Report da Questum, mais de 84% dos principais compradores de tecnologia consultados pretendiam realizar novas aquisições nos 12 meses seguintes, enquanto os participantes do levantamento haviam investido aproximadamente R$ 2,3 bilhões em operações.
Na avaliação de Guilherme, a origem do comprador deve ocupar menos espaço na estratégia do que o preparo da empresa para uma negociação.
“O principal gargalo do M&A de tecnologia no Brasil deixou de ser a falta de capital e passou a ser a falta de preparação. Empresas com governança estruturada, métricas confiáveis, receita previsível e uma tese clara de valor atraem compradores nacionais e internacionais em melhores condições.
O sonho do exit em dólar pode continuar existindo, mas não deve se transformar em uma estratégia de espera. A empresa precisa estar pronta para ser comprada pelo melhor interessado, independentemente de onde ele venha”, conclui.