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Como evitar fraudes e multas fiscais após a Reforma Tributária

O desafio está na adaptação e compreensão do complexo sistema tributário brasileiro, evitando fraudes e multas fiscais

Multas e fraudes podem aumentar sem adaptação à Reforma Tributária (Nico De Pasquale Photography/Getty Images)

Multas e fraudes podem aumentar sem adaptação à Reforma Tributária (Nico De Pasquale Photography/Getty Images)

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Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 10h00.

Por Daniel Paschino*

Quando se fala em fraudes e multas fiscais no Brasil, o debate costuma se concentrar em grandes casos de corrupção ou em práticas deliberadamente ilícitas. No entanto, uma parte significativa das perdas financeiras enfrentadas pelas empresas brasileiras ocorre longe dos holofotes.

É um custo invisível, formado por erros operacionais, falhas de processo e baixa visibilidade sobre o ciclo de pagamentos: problemas que se acumulam silenciosamente no dia a dia do backoffice.

Reforma Tributária terá impacto no controle fiscal

O ambiente tributário brasileiro é reconhecidamente complexo e passa, agora, por uma das maiores transformações de sua história recente com a Reforma Tributária do Consumo.

A transição para o novo modelo amplia exigências de controle, integração entre áreas e precisão operacional.

Ainda assim, dados do Panorama do Contas a Pagar 2026, estudo feito pela Qive, mostram que apenas 38% das empresas já iniciaram o mapeamento dos impactos da reforma em seus processos.

Outras 40% ainda nem sequer começaram a avaliar essas mudanças, apesar da proximidade do início da transição.

Por que ocorrem fraudes e multas fiscais involuntárias?

Esse cenário ajuda a explicar por que fraudes internas, inconsistências fiscais e autuações continuam a drenar o caixa das empresas.

Na prática, muitas penalidades não nascem de má-fé, mas de operações fragmentadas, processos manuais e dependência de planilhas e controles paralelos.

Conferências incompletas, cadastros inconsistentes e pagamentos sem rastreabilidade adequada criam brechas que se transformam em problemas fiscais e financeiros.

A questão se agrava quando observamos que esses erros raramente aparecem de forma isolada.

Pequenas inconsistências recorrentes geram prejuízos cumulativos: multas fiscais por atraso, retrabalho operacional, questionamentos de auditoria e aumento do risco de fiscalização.

O custo invisível vai além: ele inclui desgaste das equipes, perda de eficiência, aumento de custos jurídicos e impacto direto na previsibilidade do fluxo de caixa.

Assim, inadimplência e governança financeira tornam-se tópicos comuns no Brasil

Dados recentes da Serasa Experian mostram que 31,9% das empresas ativas no país enfrentam algum nível de inadimplência, somando 7,3 milhões de CNPJs com contas em atraso.

Ao todo, o valor das dívidas empresariais chega a R$ 169,8 bilhões, com uma média de 7,3 contas vencidas por empresa e ticket médio de R$ 3,1 mil por obrigação.

Embora nem toda inadimplência tenha origem fiscal, esses números ajudam a dimensionar como falhas de controle, gestão fragmentada e baixa previsibilidade de caixa se acumulam e pressionam o resultado financeiro ao longo do tempo.

A Reforma Tributária tende a tornar essas fragilidades ainda mais evidentes. Não se trata mais apenas de executar pagamentos, mas de garantir a integridade do vínculo entre documento fiscal, valor e liquidação financeira.

Estratégias para mitigar riscos e proteger o caixa

Combater fraudes e multas fiscais exige uma mudança de postura. Governança financeira deixa de ser um tema operacional e passa a ser estratégico.

Processos mais integrados, padronização de rotinas e maior visibilidade sobre o ciclo financeiro permitem identificar anomalias antes que elas se transformem em perdas irreversíveis.

A automação, quando aplicada com critério, atua como aliada nesse processo. Ela não substitui o controle humano, mas amplia a capacidade de monitoramento, reduz a dependência de tarefas repetitivas e cria trilhas de auditoria mais consistentes.

Mais do que eficiência, trata-se de criar um ambiente menos suscetível a erros e fraudes silenciosas

O desafio de 2026 é claro: assumir uma visão mais ampla do risco fiscal e financeiro, conectando áreas que historicamente operaram separadas.

Preservar caixa, competitividade e sustentabilidade passa, necessariamente, por enxergar e endereçar esses custos invisíveis antes que eles comprometam o resultado.

Combater fraudes e multas fiscais não é só uma iniciativa de eficiência operacional, mas uma decisão estratégica de proteção do caixa e da governança corporativa.

Em um ambiente tributário complexo e em constante mudança, o custo invisível tende a crescer justamente onde existe pouca integração, baixa visibilidade e excesso de trabalho manual.

Estruturar processos capazes de antecipar riscos, preservar previsibilidade e sustentar o crescimento do negócio no longo prazo será o diferencial para encarar as mudanças esperadas para 2026.

*Daniel Paschino é CFO da Qive.

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