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Como o setor de tecnologia pode ser o agente da equidade de gênero

Dados divulgados pela Associação Brasileira de Startups mostra que setores de inovação e tecnologia empregam menos de 21% de mulheres
Empresas ainda mantêm áreas de meninos e de meninas (Foto/Thinkstock)
Empresas ainda mantêm áreas de meninos e de meninas (Foto/Thinkstock)
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Jordana Souza*

Publicado em 18/07/2022 às 17:00.

Última atualização em 18/07/2022 às 17:17.

Considerada até hoje (acredite!) uma área “masculina”, a tecnologia tem ganhado novos perfis de profissionais. Mas, antes, vou começar contando um episódio que vivenciei como cofundadora e CRO de uma startup de gestão de mobilidade e viagens corporativas.

Bem recentemente, eu conversava com um executivo do mercado que, sabendo da minha função na empresa e da minha paixão por mountain bike, disse que meus interesses estavam ligados a atividades masculinas. Não foi a primeira e, creio, não será a última vez que irão fazer tal relação. No entanto, percebo que algo vem mudando e pode mudar ainda mais.

Somente no segundo trimestre deste ano, li notícias de várias empresas de portes e segmentos diversos oferecendo vagas de tecnologia exclusivamente para pessoas que se identificam como mulheres. Claro que, enquanto algumas companhias trazem tal atitude como premissa, outras querem navegar na tendência para não perder a chance de trabalhar sua marca.

De todo modo, trata-se de um movimento promissor quando falamos da inclusão feminina em um segmento tão estigmatizado, como uma propriedade masculina. Quando falamos exclusivamente do ramo das empresas de inovação, creio que esse sim, deve assumir seu papel de protagonista para tal transformação.

Segundo a última pesquisa divulgada pela Associação Brasileira de Startups, menos de 21% delas têm um número de mulheres considerado mais expressivo em seus times — de 26% a 49% do total. Quanto potencial, não?

Tais dados são alarmantes e surpreendentes na mesma medida. Uma vez que, naturalmente, partimos do pressuposto que, companhias que buscam o novo e que são tão ligadas à criatividade, estariam atentas à sua diversidade interna.

Por isso, eu acredito que a mudança tem que partir da liderança para se alcançar a verdadeira mudança no mercado de trabalho por meio de oportunidades práticas. Um exemplo que tenho acompanhado é, como a Voll, traveltech de mobilidade e viagens corporativas, tem composto seu time de cerca de 300 colaboradores espalhados pelo Brasil.

Neste mês de julho, a equipe passou a ser formada por 63% de mulheres, sendo que, do total de líderes, elas ocupam mais da metade dos cargos. O alcance dessa marca é motivo de orgulho na empresa que tem no seu DNA a presença feminina. Até o fechamento do ano de 2021, a Voll já tinha mais de 50% de sua equipe formada por mulheres.

Para que se alcance grandes números é preciso que a cultura empresarial esteja alinhada, pois o real engajamento acontece quando o propósito é perceptível em diversas esferas da companhia. Seja a partir da reserva de vagas destinadas às mulheres, mas também por meio do incentivo para que elas se posicionem, expressem suas opiniões e ocupem seus espaços nas suas respectivas áreas de atuação.

É legal ser pioneira em algo, mas o mais legal é abrir portas para mais e mais mulheres. Decidimos que não ficaremos mais sozinhas. E, assim, uma estará representada na vitória da outra. Por me orgulhar de ter em meu time uma liderança forte e feminina, reforcei nas redes sociais minha participação na campanha #umasobeepuxaaoutra. Isto é, vamos trilhar um caminho que permita a ascensão de não apenas uma, mas de todas!

*Jordana Souza é cofundadora e CRO da Voll

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