O que isso muda para o PJ brasileiro? (Taris Tonsa/Shutterstock)
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Publicado em 28 de maio de 2026 às 15h00.
Por Amanda Carvalho*
IA é a palavra da vez e uma onda que só cresce. Você provavelmente já usou o ChatGPT, o Claude ou algum assistente de IA para redigir um e-mail, resumir um documento ou tirar uma dúvida rápida. Talvez até tenha ficado impressionado com a resposta.
Mas aí você voltou ao seu sistema de gestão, abriu outra aba, preencheu os campos manualmente, clicou em salvar…e a IA ficou lá, na outra aba, esperando a próxima pergunta.
Essa é exatamente a limitação que um protocolo chamado MCP está começando a resolver.
E vale entender o que está acontecendo, porque os efeitos práticos disso vão chegar na rotina de trabalho de muita gente mais cedo do que parece.
Antes disso, vou explicar o que é um MCP (Model Context Protocol).
Em linhas gerais, é um dos temas mais quentes no ecossistema de IA e, ao fazermos o recorte para o ecossistema de contabilidade, notamos que ele ainda está completamente fora do radar de muitos profissionais do setor.
O fato é que até pouco tempo atrás, os assistentes de inteligência artificial funcionavam de um jeito muito específico: você perguntava, eles respondiam.
Ou seja, a interação era de mão única e o assistente vivia dentro de uma caixa, isolado dos sistemas que você usa no dia a dia.
Isso não era limitação de inteligência. Era limitação de conexão.
Quando olhamos para todas as atividades que realizamos ao longo do dia, de nada adianta contratar o melhor assistente do mundo se ele não tem acesso aos seus arquivos, não consegue abrir o seu sistema e precisa que você copie e cole tudo para ele.
Com ele, um assistente de IA não fica mais restrito à conversa. Ele pode acessar ferramentas externas, consultar dados em tempo real e executar ações dentro dos seus sistemas.
E sabe o melhor?! Tudo isso dentro de uma conversa natural, sem você precisar sair de uma tela para outra. A diferença é, portanto, enorme.
Antes, você pedia para a IA "me ajuda a redigir um e-mail de follow-up para o cliente X". Ela escrevia, você copiava, colava, enviava.
Agora, com o MCP, você pode simplesmente pedir: "manda um e-mail de follow-up para o cliente X com base no último contato que tivemos".
E a ‘mágica acontece’, pois o assistente acessa o histórico, redige e envia. Ou agenda uma reunião. Ou atualiza um registro. Ou até mesmo emite uma nota fiscal.
Ou seja, o assistente para de ser um consultor e passa a ser um colaborador que age. Saímos da era da IA Consultiva e entramos na da IA de Execução!
O mais legal é que o MCP não é conceito de laboratório. Hoje ele já está sendo usado em contextos bastante concretos.
No segmento de desenvolvimento de software, por exemplo, desenvolvedores que usam o Claude conseguem pedir ao assistente que acesse o repositório de código, leia os arquivos relevantes, identifique um bug e proponha, ou até aplique, a correção. Tudo dentro da mesma conversa, sem alternar entre ferramentas.
Outro exemplo é o setor de contabilidade, que ainda passa por transformações com os impactos das novas tecnologias.
A partir de agora, empresas e profissionais PJ que saibam usar o MCP, podem dizer ao assistente: "Emita uma nota de R$8.000 para o cliente Empresa X, referente a consultoria em arquitetura de sistemas, mês de maio", e a nota é emitida.
Todo o processo que era manual, agora será sem abrir o sistema, sem preencher campo a campo e, principalmente, sem sair do fluxo de trabalho.
O ponto central é que o MCP chegou para ficar e deve ampliar cada vez mais o potencial de todos nós, em níveis pessoal e profissional.
Seja em qualquer segmento de atuação, acredito que a tecnologia de verdade é aquela que “some” da sua rotina, ou seja, que resolve sem aparecer. Pense nisso!
*Amanda Carvalho é fundadora e CEO da Adaflow, startup de contabilidade inteligente que simplifica a rotina de profissionais PJ, especialmente os que atuam no exterior.