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Gente & Gestão: Como o equilíbrio no mundo corporativo evita o esgotamento

Em um mercado altamente exigente, o esgotamento de lideranças acende o alerta para a necessidade urgente de equilibrar carreira e bem-estar

Executivo aproveita momento de pausa e desconexão em meio à natureza para recarregar as energias. (Thinkstock)

Executivo aproveita momento de pausa e desconexão em meio à natureza para recarregar as energias. (Thinkstock)

Carlos Guilherme Nosé
Carlos Guilherme Nosé

Chairman da FESA Group - Colunista Bússola

Publicado em 16 de junho de 2026 às 15h00.

Essas últimas quatro semanas foram bastante ecléticas para mim. Tive agenda intensa de trabalho com clientes buscando executivos, minha agenda de mentoria com C-levels, viagem a trabalho, leituras e mais uma viagem de lazer incrível que me deixou muito orgulhoso.

Minha afilhada se formou em uma universidade americana e lá se foi a família ‘brazuca’ fazer barulho e chorar junto com ela por essa conquista tão importante.

Já que estávamos por lá, minha esposa e eu emendamos uma semana de lazer dentro de dois grandes parques nacionais, três dias intensos de trilhas de bicicletas e dois dias de caminhadas longas.

Estávamos na Dakota do Sul. Pesquisem o que tem por lá. Já adianto que não há quase nada! Mas aí vem o antagonismo: tem muita coisa para se apreciar.

A necessidade de desacelerar

Acostumamos com a vida agitada e, muitas vezes, nas férias, emendamos lugares tão loucos e agitados como nosso dia a dia. Estávamos no meio do nada.

No silêncio total, nas paisagens infinitas, onde se via de tudo que a natureza tem. Quilômetros e quilômetros sem uma construção sequer.

Milhas e milhas sem sinal de celular, zero! E, com as poucas pessoas que cruzávamos, o que mais ouvíamos era: “Enjoy the ride!”

Quando paramos para pensar se estamos “enjoying the ride”? Quase nunca, não é?

Temos medo de desacelerar e ficar para trás.

Tenho ouvido cada vez mais de executivos que nem nas férias conseguem se desconectar ou parar de pensar nas suas responsabilidades, suas metas, seu futuro.

Temos pavor de sermos substituídos. É claro que eu entendo isso – e já sofri por isso também.

O legado e a renovação

Mas aqui vem uma verdade nua e crua, que me inspirou para escrever este texto: na última semana, vi que nem Neil Peart é insubstituível.

Para quem não é fã de rock como eu, vou explicar. Ele foi um gênio da bateria. Por décadas fez parte do Rush, uma banda canadense, e sempre foi considerado o melhor ou esteve no Top 3 do mundo.

Tinha um jeito único, criativo, totalmente diferente de todos e um talento infinito. Infelizmente, faleceu em 2020.

Mas essa semana o Rush voltou a fazer uma turnê, com uma nova baterista alemã, Anika Nilles. Ela deu um show à parte e fez o público aplaudir de pé.

Se até os maiores mitos do rock deixam legados eternos, mas abrem espaço para novos ritmos, por que insistimos em carregar o peso do mundo nas costas?

O equilíbrio no ambiente profissional

Voltando para o nosso mundo corporativo, talento se acha, se desenvolve, se refina.

Sua dedicação, suas entregas, suas ideias podem fazer uma baita diferença, sim, mas são passageiras.

Mesmo que Peart tenha deixado o legado dele, pôde ser substituído, apesar de jamais esquecido.

Assim, tenho colocado mais “enjoy the ride” na minha rotina.

Entre uma pedalada, uma caminhada, uma reunião e uma boa conversa com cliente, penso cada vez mais em como curtir a paisagem ao redor. Estou menos preocupado em chegar.

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