A onda da CPI da Pandemia é a eleitoral

Qualquer assunto, que não sejam as mortes por covid-19, é melhor para o governo neste momento

Por Márcio de Freitas*

O depoimento de Élcio Álvares nesta quarta-feira na CPI da Pandemia é a continuidade da corrida para saber quem impõe sua narrativa para o futuro. Não para o momento presente, mas para o momento do voto em 2022.

O palanque antecipado segue as ondas de contaminação e mortes pelo país. Quanto mais cedo terminar, com a imunização dos brasileiros com vacinação em massa, melhor para o governo. Quanto mais tempo se demora para conter as mortes, maior a culpa a ser jogada sobre o presidente Jair Bolsonaro.

Governo e oposição continuam o embate, um tentando estabelecer que está isento de culpa pelas quase 500 mil mortes pela covid-19; o segundo jogando cada corpo de vítima no colo de Bolsonaro. Álvares tentou blindar o governo e o presidente. Os depoimentos anteriores colhidos pela comissão e a falta de respostas às propostas, sobre aquisição de vacinas desde o ano passado foram usados pela oposição para movimento inverso.

Os sinais são lidos de acordo com depoentes e senadores, segundo seus objetivos e alinhamentos políticos. Nada se move na opinião interna de quem responsabiliza o governo, nem dos que o isentam. Mas funciona para mobilizar o discurso eleitoral em preparação inicial para o próximo ano.

Neste quesito, o governo Bolsonaro permanece hoje na defensiva sem conseguir quebrar a hegemonia da oposição no debate da CPI. Enquanto não vacinar todos brasileiros, não conseguirá deixar de perder o embate, e mesmo depois será acusado de ter demorado demais.

O presidente parece saber que esta guerra foi perdida. Fora dos palcos do Senado, Bolsonaro continua preferindo falar de economia, costumes ou futebol. Qualquer assunto é melhor para o governo do que o vírus que ameaça sua reeleição.

*Márcio de Freitas é analista político da FSB Comunicação

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