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3 perguntas de ESG para Eliezer Silveira Filho, da Roost

Diretor geral da empresa fala sobre preconceito nos ambientes corporativos e de como a “Economy of Things” está focada em melhorar a vida das pessoas
Eliezer Silveira Filho, diretor geral da Roost (Roost/Divulgação)
Eliezer Silveira Filho, diretor geral da Roost (Roost/Divulgação)
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BússolaPublicado em 31/03/2022 às 09:12.

Por Renato Krausz*

1) Após ter sido eleito duas vezes um dos cem principais executivos LGBTs do mundo pelo Yahoo Finance, você ainda enfrenta preconceito nos ambientes corporativos pelos quais transita? Como avalia a inclusão dessa população hoje no Brasil?

Eliezer Silveira Filho: O preconceito faz parte da vida de qualquer pessoa LGBT ou de quem integra algum grupo minorizado. Eu percebo que em alguns espaços, devido a certos privilégios por ocupar um espaço de poder, isso é um mais ou menos tolerado. É menos visível, ou mais visível, em pequenos detalhes como perguntas sobre cônjuge, comentários e piadas.

Isso faz parte do dia a dia. Eu aprendi a lidar com isso com equilíbrio e a construir pontes a partir do preconceito, para poder dialogar e ajudar as pessoas a serem melhores.

Do ponto de vista de avaliação da inclusão da população LGBT no Brasil, hoje, eu acho que tivemos uma evolução interessante, no que diz respeito à conscientização. Percebo mais e mais empresas falando e refletindo sobre isso, além de ver cursos sobre o assunto ganharem espaço.

Eu, por exemplo, dou aula em alguns MBAs sobre diversidade e inclusão, e percebo que é uma pauta que tem ganhado bastante espaço nas organizações.

Porém, entre a conscientização e a inclusão há um grande espaço. Ainda é importante a construção de ambientes seguros para as pessoas serem quem elas são no local de trabalho, para terem uma inclusão real.

Ninguém merece sofrer em qualquer espaço que esteja, e as empresas são responsáveis por isso. É importante construir políticas e ações afirmativas para mais pessoas LGBTs e outros grupos minorizados ocuparem espaço nas organizações, garantindo que essas pessoas tenham carreira e oportunidade de ascensão profissional. Neste ponto, o Brasil ainda precisa avançar. Eu acho que a conscientização evoluiu, mas ainda há muitos passos a serem dados para ocorrer a inclusão de fato.

2) O setor de tecnologia, em comparação com os outros, está mais avançado ou menos em diversidade e inclusão?

Eliezer Silveira Filho: A digitalização é um processo real, e a transformação digital já aconteceu. Quem não seguiu nisso ficou para trás. Com isso, a tecnologia se tornou um grande setor para contratação, o que naturalmente gera mais oportunidades para pessoas LGBTs, grupos minoritários, pessoas negras, mulheres, entre outros.

Por outro lado, é visível que algumas profissões na área de tecnologia ainda sofrem estigmas de histórico profissional. Por exemplo, por mais que tenham muitos grupos de mulheres programadoras, não há o mesmo movimento para formação na área de hardware e infraestrutura. Essa é uma oportunidade enorme para o setor trabalhar no engajamento desse público.

Hoje, diversidade e inclusão estão presentes nas principais empresas de tecnologia. É um tema que existe e que é tratado com grupos de afinidade. As empresas já estão promovendo algumas profissões e levando conhecimento para grupos minorizados, mas acredito que ainda há bastante espaço para desenvolver iniciativas em outras áreas. Do ponto de vista do setor como um todo, a discussão precisa sair das grandes empresas e chegar nas de pequeno e médio porte, para que a inclusão aumente.

3) Como as soluções de tecnologia oferecidas pela Roost se interligam com o ESG?

Eliezer Silveira Filho: O principal ponto da Roost é que as nossas tecnologias, assim como tudo que fazemos como empresa, estão alinhadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Isso envolve uma preocupação de trazer conceitos que possam impactar na sociedade em geral, como um trabalho junto com os nossos provedores e parceiros de tecnologia no desenvolvimento de sistemas e hardwares mais sustentáveis.

Por exemplo, criando soluções de cidades inteligentes com o objetivo de apoiar o poder público a obter recursos que possam levar bem-estar e segurança ao cidadão e ajudar na redução da desigualdade social, permitindo que mais pessoas tenham acesso a serviços fundamentais, como o de saúde.

Além disso, quando construímos algum projeto que envolve importação, pensamos em como podemos gerar menos impacto ao meio ambiente com a otimização de caixa e recursos.

Na Roost, temos o Omnidata, que traz insights a partir de dados dos mundos físico e digital, que podem auxiliar um cliente do varejo a construir soluções que sejam mais aderentes ao negócio e ao propósito dele, que muitas vezes está associado à construção de uma sociedade melhor, com mais equidade nos serviços. A tecnologia pode oferecer isso por meio do mapeamento de populações que estejam subatendidas. Tudo com total respeito à privacidade dos dados das pessoas.

Acredito na ideia de que a IoT tem que migrar para Economy of Things. Economia do ponto de vista de trazer mais otimização, resultado e informações que possam impactar a vida das pessoas. A tecnologia é para todos! Na Roost acreditamos nisso e nas soluções que carregam essa mensagem. É desta forma que conseguimos ajudar nossos clientes e as empresas parceiras a gerar impacto na sociedade.

*Renato Krausz é sócio-diretor da Loures Comunicação

Este é um conteúdo da Bússola, parceria entre a FSB Comunicação e a Exame. O texto não reflete necessariamente a opinião da Exame.

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