A digitalização avançou mais rápido do que a maturidade da gestão (skaman306/Getty Images)
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Publicado em 10 de março de 2026 às 13h00.
A operação acelerou, mas a gestão ficou para trás. Enquanto o dinheiro entra e sai do caixa diariamente em 45% das empresas brasileiras, a "cegueira" financeira em tempo real tornou-se o maior risco operacional do país. Segundo pesquisa que analisou a questão:
A lógica do fechamento mensal perdeu espaço em um ambiente de pagamentos instantâneos, mas a maioria das companhias ainda opera "olhando pelo retrovisor". É o que mostra a 2ª edição do Panorama da Gestão de Despesas Corporativas, pesquisa realizada pela Conta Simples em parceria com a Visa.
O levantamento revela um mercado intensamente digitalizado na ponta do pagamento: 86% das empresas já utilizam Pix e 71% adotam cartões corporativos. No entanto, essa agilidade criou um efeito colateral crítico.
A falta de visibilidade e previsibilidade financeira, que afetava 55% das empresas no ano passado, saltou 8 pontos percentuais em 2026, evidenciando que a velocidade do dinheiro aumentou a pressão por um acompanhamento que a gestão tradicional não consegue mais entregar
Realizado com cerca de 1700 MPMEs de todas as regiões do país, o estudo mantém o mesmo desenho metodológico da edição anterior, permitindo leitura evolutiva do mercado.
O recorte contempla diferentes portes, gerações de decisores e segmentos, com reforço em setores de alta dinâmica transacional. O retrato pode ser resumido como: a digitalização avançou mais rápido do que a maturidade da gestão.
“Quando o dinheiro circula todos os dias, o atraso na leitura deixa de ser pontual e passa a ser estrutural. O mercado ganhou velocidade, mas a gestão não pode acontecer depois do fato. Maturidade hoje é enxergar antes e transformar dados em previsibilidade para decidir com segurança”, conclui Rodrigo Tognini, CEO e cofundador da Conta Simples.