Kirsten Dunst em 'Maria Antonieta', filme de Sofia Coppola que completa 20 anos e ganhou exposição em Versalhes (Divulgação/Sony Pictures Entertainment)
Jonalista colaborador
Publicado em 3 de outubro de 2026 às 08h02.
Vestida com um conjunto de tweed rosa-claro da Chanel, Sofia Coppola recebeu na semana passada as insígnias de comendadora da Ordem das Artes e das Letras em um dos salões do Palácio de Versalhes, o mesmo endereço onde filmou Maria Antonieta duas décadas atrás. A condecoração foi entregue pela ministra da Cultura francesa, Catherine Pégard, com Francis Ford Coppola, pai da cineasta, acompanhando a cerimônia.
Criada em 1957, a ordem reconhece personalidades que contribuíram para as artes e a literatura na França e no exterior, e o grau de comendador é o mais alto entre os três existentes. A entrega aconteceu poucos dias depois da inauguração, no Petit Trianon, de uma mostra dedicada ao filme, concebida em parceria com a própria diretora e aberta ao público até 24 de janeiro de 2027.
Pégard conhece o palácio por dentro. Ela presidiu a instituição que administra Versalhes entre 2011 e 2024 e assumiu o Ministério da Cultura em fevereiro deste ano, no lugar de Rachida Dati. "Me senti muito acolhida por Catherine Pégard e por toda a pesquisa dela", disse Sofia, de 55 anos, à jornalista Natasha A. Fraser após a cerimônia.
A exposição ocupa o pequeno castelo projetado para Madame de Pompadour, depois habitado por Madame du Barry e, mais tarde, transformado no refúgio particular de Maria Antonieta. Boa parte das cenas do longa foi rodada ali. O percurso reúne figurinos originais de Milena Canonero, que levou o Oscar de melhor figurino em 2007 pelo trabalho, além de acessórios de cena, storyboards, roteiros anotados, fotografias de set e ambientes reconstituídos. Algumas sequências são projetadas nos mesmos cômodos onde foram gravadas.
As filmagens em Versalhes duraram 19 dias e mobilizaram cerca de 300 pessoas, dentro de uma produção orçada em US$ 40 milhões, o equivalente a cerca de R$ 207 milhões na cotação atual. "Durante a produção, Versalhes foi muito mais do que uma locação. Tornou-se parte da linguagem e do clima do filme, um personagem por si só", afirmou a diretora sobre a mostra, que funciona à tarde e tem entrada incluída no ingresso do domínio de Trianon.
Figurinos de Milena Canonero, vencedora do Oscar pelo filme, na mostra concebida com Sofia Coppola no Petit Trianon (Reprodução/Instagram)
Lançado em 2006, o longa com Kirsten Dunst no papel da rainha ficou marcado pela paleta pastel e por escolhas que misturavam o século 18 com referências contemporâneas. Os sapatos foram assinados por Manolo Blahnik, e a joalheria nova-iorquina Fred Leighton emprestou peças avaliadas em quase US$ 4 milhões. Na trilha sonora, faixas de Air, The Strokes e New Order acompanhavam os bailes da corte.
A Cartier patrocina a exposição e organizou parte da programação em torno do aniversário, que incluiu a exibição da versão restaurada do filme no Cinéma Christine, em Paris, e uma sessão de autógrafos do livro Making Marie Antoinette na Fondation Cartier. Dunst viajou à França para a festa de abertura da mostra, que reuniu pessoas próximas à diretora.
Retrato da rainha por Élisabeth Vigée Le Brun divide espaço com peça da exposição sobre o longa, aberta até janeiro (Reprodução/Instagram)
A homenagem a Sofia entrou em um calendário carregado de condecorações a nomes do cinema americano. Em 22 de setembro, durante a viagem de Emmanuel Macron a Nova York para a Assembleia Geral da ONU, o presidente francês entregou a Legião de Honra a Martin Scorsese, elevado a grande oficial, e a Robert De Niro, nomeado oficial, em cerimônia na Villa Albertine.
A passagem da cineasta por Paris coincide ainda com a semana de moda da cidade, onde ela costuma ocupar a primeira fila. A relação de Sofia com a Chanel começou cedo, com um estágio na maison aos 15 anos, e se mantém até hoje como amiga e embaixadora da marca, que encerra a temporada com o desfile de verão 2027 assinado por Matthieu Blazy.