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Patrus cresce e PT tenta transformar força de Lula em vaga no 2º turno em Minas

Petista avança para 16% na Quaest e aparece em segundo em pesquisas recentes; desafio é conquistar eleitor que apoia Lula, mas separa a escolha para o governo estadual

Patrus Ananias e Marília Campos, pré-candidatos do PT em Minas Gerais, de mãos dadas (Divulgação/Instagram)

Patrus Ananias e Marília Campos, pré-candidatos do PT em Minas Gerais, de mãos dadas (Divulgação/Instagram)

Dione Alves
Dione Alves

Colaborador

Publicado em 3 de outubro de 2026 às 07h30.

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Patrus Ananias (PT) chegou a 16% das intenções de voto para o governo de Minas Gerais no Datafolha divulgado em 1º de outubro e aparece sozinho na segunda colocação, atrás de Cleitinho Azevedo (Republicanos), com 40%. A campanha petista pretende intensificar a associação de Patrus ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na reta final, embora integrantes do partido e a cientista política Helcimara Telles avaliem que a transferência de votos entre as duas candidaturas não é automática.


Depois de meses de indefinição sobre quem dividiria com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) o principal palanque da esquerda em Minas Gerais, o PT chega à reta final do primeiro turno com Patrus Ananias em uma posição mais competitiva na disputa pelo governo estadual.

O deputado federal cresceu nas últimas rodadas de pesquisas e passou a ocupar sozinho o segundo lugar no Datafolha, abrindo distância sobre Alexandre Kalil (PDT).

No levantamento divulgado na quinta-feira, 1º, Patrus chegou a 16% das intenções de voto, um ponto acima dos 15% registrados na semana passada. Kalil passou de 9% para 11%. A distância para o líder, no entanto, continua ampla: Cleitinho Azevedo (Republicanos) segue com 40%.

Segundo o agregador de pesquisas EXAME/Inteligov, Cleitinho pontua 38,01%, Patrus, 16,48%, e Kalil, 9,06%.

O avanço dá ao PT uma possibilidade que o partido tenta transformar em tendência nos últimos dias de campanha: aproximar o desempenho de Patrus da força eleitoral de Lula no Estado. Essa transferência, porém, está longe de ser automática.

O Datafolha realizado no estado entre 8 e 10 de setembro mostrou Lula com 37% das intenções de voto para presidente e Flávio Bolsonaro (PL) com 35%, em empate técnico. Na disputa pelo governo, Patrus aparecia no mesmo período com 13%, distante dos 37% de Cleitinho.

A diferença repete um comportamento já observado nas eleições anteriores. Em 2022, Romeu Zema, então no Novo, foi reeleito governador no primeiro turno com 56,18% dos votos válidos, enquanto Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) em Minas no segundo turno presidencial, por 50,20% a 49,80%.

Uma parcela do eleitorado mineiro, portanto, combinou escolhas de campos políticos diferentes para presidente e governador.

Para a professora de Ciência Política da UFMG e presidente da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel), Helcimara Telles, a entrada de Patrus ajudou a reorganizar o eleitorado identificado com a esquerda após meses de indefinição.

“O eleitor que se identifica com Lula e com o PT passou a ter um candidato claramente identificado com esse campo. Isso ajuda a reduzir a dispersão desse voto”, considera.

Helcimara avalia que o avanço de Patrus também pode ser explicado pelo aumento da visibilidade da candidatura e pela aproximação de eleitores que estavam divididos ou indecisos.

“Há também um efeito de concentração, que é quando uma candidatura ganha maior alcance e passa a ser atrelada ao nome de Lula. Parte do eleitorado que estava dividido ou indeciso pode começar a se aproximar dela. Então, esse crescimento de Patrus não significa que ele tenha incorporado todo o eleitor de Lula”, diz.

Patrus e Lula em comício do presidente em Minas Gerais na sexta-feira, 2

Patrus terá nome mais associado a Lula

A própria campanha reconhece que o apoio do presidente, sozinho, não resolve em nada a diferença entre as duas candidaturas.

O coordenador-geral da campanha, o ex-vereador Pedro Patrus, adianta que a estratégia para a reta final vai aumentar a associação do nome de Patrus ao do atual presidente da República.

“A gente sabe que essa transferência de votos não é automática, mas o nosso trabalho vai ser mostrar ao eleitor que, além de contar com o apoio do presidente Lula, Patrus tem trajetória, experiência e propostas próprias para Minas”, diz.

Nos últimos dias, o PT também ampliou a circulação de material de campanha no Estado. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, afirmou à EXAME que o partido precisou rever a estratégia de produção e distribuição depois de identificar dificuldades em alguns estados.

Segundo ele, a produção de parte dos materiais foi centralizada em estados como São Paulo e Minas.

Mais precisamente em Minas, a direção petista diz ter mapeado 40 cidades-polo para organizar a distribuição do material de campanha para municípios do entorno.

Edinho também afirmou que houve aumento da presença de peças de Patrus associadas a Lula em Belo Horizonte e destacou que a estratégia continua apoiada em ações presenciais, com militantes nos bairros e municípios.

A presidente estadual do PT, deputada Leninha, rejeita a avaliação de que o partido tenha demorado para definir a candidatura.

Segundo ela, as negociações com outros nomes, entre eles o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco, fizeram parte da tentativa de construção de alianças antes das convenções. Para a dirigente, a escolha de Patrus ocorreu dentro do calendário previsto pelo partido.

O desempenho das próximas pesquisas deve mostrar até que ponto a estratégia consegue ampliar o voto em Patrus para além do eleitorado petista. Para Helcimara Telles, esse será o principal teste da candidatura, caso chegue ao segundo turno.

“A associação com Lula é, ao mesmo tempo, uma força e um limite para Patrus. Ela ajuda, mas existe uma dificuldade de expansão de eleitores, pois quem gosta de Lula, ainda assim, pode querer escolher outro candidato para governador”, afirma.


Perguntas frequentes

Quanto Patrus Ananias tem nas pesquisas para o governo de Minas? +

No Datafolha divulgado em 1º de outubro, Patrus Ananias aparece com 16% das intenções de voto. Na rodada anterior, tinha 15%.

Quem lidera a disputa pelo governo de Minas Gerais? +

Cleitinho Azevedo (Republicanos) lidera o levantamento do Datafolha citado na matéria, com 40% das intenções de voto. Patrus aparece com 16%, e Alexandre Kalil (PDT), com 11%.

Qual é a estratégia de Patrus Ananias na reta final da campanha? +

A campanha pretende ampliar a associação entre Patrus e Lula. Segundo o coordenador-geral da campanha, Pedro Patrus, a estratégia também busca apresentar ao eleitor a trajetória, a experiência e as propostas próprias do candidato ao governo de Minas.

O apoio de Lula garante votos para Patrus Ananias? +

Não há transferência automática de votos entre as candidaturas. A cientista política Helcimara Telles avalia que a identificação de Patrus com Lula e o PT pode ajudar a concentrar parte do eleitorado de esquerda, mas afirma que eleitores de Lula também podem optar por outro candidato ao governo estadual.

Como Lula e Patrus aparecem nas pesquisas em Minas Gerais? +

No Datafolha realizado entre 8 e 10 de setembro, Lula tinha 37% das intenções de voto para presidente, enquanto Patrus registrava 13% na disputa pelo governo estadual. No mesmo período, Cleitinho tinha 37% para governador.

Eleitores de Lula também votam em candidatos de outros campos políticos para governador? +

Os resultados de 2022 mostram que houve combinação de votos entre campos políticos diferentes em Minas. Romeu Zema, então no Novo, foi reeleito governador no primeiro turno com 56,18% dos votos válidos, enquanto Lula venceu Jair Bolsonaro (PL) no estado no segundo turno presidencial, por 50,20% a 49,80%.

O que o PT mudou na campanha de Patrus em Minas? +

O partido ampliou a produção e a circulação de materiais de campanha e, segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, definiu 40 cidades-polo em Minas Gerais para organizar a distribuição das peças aos municípios do entorno. A campanha também aumentou a presença de materiais que associam Patrus a Lula.

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