A Serra Catarinense foi uma das primeiras regiões a registrar neve em 2026.
Colaboradora
Publicado em 7 de julho de 2026 às 17h11.
Última atualização em 7 de julho de 2026 às 17h19.
Julho é o mês mais aguardado por quem sonha em ver neve no Brasil. E a Serra Catarinense, com cidades como São Joaquim, Urubici e Urupema, está no centro dessa expectativa todos os anos.
Nesta terça-feira (07), o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) mantém aviso de geada para quase toda a Região Sul, com mínimas em torno de -3°C na Serra Catarinense. O frio é real e está confirmado.
Mas isso não significa que vai nevar. Veja o que diz a previsão oficial e o que esperar dos próximos dias.
A neve é um fenômeno raro no Brasil e depende de uma combinação específica de fatores: temperatura negativa, umidade suficiente no ar e uma frente de instabilidade que empurre esse ar frio e úmido para cima.
Quando falta umidade, mesmo com frio intenso, o resultado costuma ser geada, não neve.
Dentro desse cenário, algumas cidades da Serra Catarinense concentram a maior parte dos registros históricos, por causa da altitude elevada e da exposição direta às massas de ar polar vindas do sul do continente:
De acordo com o Inmet, julho concentra o maior número de dias com risco de geada e de precipitação invernal na Região Sul, justamente por reunir as ondas de frio mais intensas do ano.
Sim. Segundo boletim da Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil de Santa Catarina, a Serra Catarinense registrou os primeiros episódios de neve do ano entre a noite de sábado (9) e a madrugada de domingo (10 de maio), em meio a uma forte massa de ar polar.
O fenômeno foi pontual e de pequena intensidade. Urupema teve a menor temperatura do estado naquele dia, com -1,1°C. Urubici marcou -0,5°C, e São Joaquim registrou 0,3°C. Segundo o órgão estadual, os ventos fortes nas áreas mais altas impediram uma nevada mais ampla, apesar do frio extremo.
Antes disso, os alertas de queda acentuada de temperatura já haviam sido emitidos pelo Inmet ainda na quinta-feira anterior, o que mostra como a formação de neve costuma ser identificada apenas com poucos dias de antecedência.
O boletim mais recente do Inmet, válido para esta terça-feira (07) e quarta-feira (08), mantém o Sul do país sob aviso de geada:
Esse padrão de estabilidade e baixa umidade é o principal motivo para que, apesar do frio recorde, a chance de neve nestes dois dias específicos seja baixa. Sem umidade, o resultado mais provável continua sendo a geada ampla, e não a precipitação invernal.
Segundo o Inmet, o inverno 2026 no Brasil está sob influência do El Niño, fenômeno que tende a deixar o ar mais úmido em parte do país e pode se refletir em episódios de frio intenso concentrados no início da estação, com tendência a temperaturas acima da média e mais ondas de calor entre agosto e setembro.
Isso não significa que a neve esteja descartada para o restante de julho.
Como o próprio histórico mostra, o mês costuma concentrar as maiores chances de precipitação invernal na Serra Catarinense, e novas massas de ar polar ainda devem avançar pelo Sul do país nas próximas semanas.
A recomendação, segundo o padrão observado nos últimos episódios, é acompanhar os boletins do Inmet com poucos dias de antecedência.
A confirmação de neve só é possível quando frio intenso e umidade se encontram ao mesmo tempo sobre a região, algo que a meteorologia não consegue prever com semanas de antecedência.