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Uso de drogas degrada entorno da sala São Paulo

Frequentadores da Sala São Paulo e comerciantes do centro da capital queixam-se de degradação, abandono e insegurança na Praça Júlio Prestes

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	Região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo
 (Fabiano Accosi/Veja)

Região conhecida como Cracolândia, no centro de São Paulo (Fabiano Accosi/Veja)

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Juliana Diógenes

Publicado em 23 de janeiro de 2016 às, 08h45.

São Paulo - Frequentadores da Sala São Paulo, principal casa de concertos, no centro da capital, e comerciantes da região queixam-se de degradação, abandono e insegurança na Praça Júlio Prestes, localizada ao lado da cracolândia.

Eles afirmam ter notado aumento da circulação de dependentes químicos e pedintes. A Secretaria da Segurança Pública diz que a interlocução com a Secretaria da Cultura - instalada no mesmo edifício - é permanente a respeito da vigilância no entorno.

O estudante de Direito Giovanni Cordeiro, de 21 anos, que frequenta a sala, destacou o aumento de usuários de drogas na calçada.

"Na lateral, você vê muitos dependentes dormindo. Isso incomoda. Quem está saindo do trem indo para a área de espetáculos se incomoda. Fica com medo", afirma.

Cordeiro relata que amigos já foram vítimas de "abordagens" por parte dos viciados. "Muitas vezes, ele são muito agressivos. É muito perigoso, por exemplo, para uma senhora sair (da sala) à noite e ficar ali fora esperando táxi", diz.

Joselito Lima, comerciante de 46 anos, explica que os usuários pedem dinheiro "já intimando". E aponta casos de furto e roubo na região. Motorista há 16 anos na Secretaria da Cultura, Roberto de Oliveira, de 63 anos, diz que o comércio no entorno da sala "está prejudicado" em função da "multiplicação de usuários de droga". "Piorou muito. Antes, eles não ficavam no semáforo pedindo. Agora, estão começando a ficar."

Assinante de concertos, o arquiteto e ouvidor do Conselho de Arquitetura e Urbanismo de São Paulo (CAU-SP) Affonso Risi, de 69 anos, considera a Sala São Paulo "um milagre" em meio ao centro da capital. O arquiteto pede que os órgãos públicos tratem com cuidado a região, que, a seu ver, está "feia". "Dá uma tristeza ver aquele espaço mal gerido. Vejo a pobreza em volta, a sujeira, o descaso. Logo que a sala foi inaugurada (em 1999), foi feita uma praça muito bonita. A entrada era pela praça, que foi destruída. Hoje está impraticável", diz.

Em nota oficial, a Secretaria da Segurança Pública afirmou que a PM "realiza patrulhamento preventivo" no entorno e, de janeiro a novembro de 2015, 189 pessoas foram presas na área e dez armas de fogo, apreendidas. Já a Secretaria da Cultura reforçou a parceria com SSP e observou que a área tem "complexa dinâmica social em função da epidemia do uso de crack".

Procurada, a Subprefeitura da Sé informou que a praça recebe serviços de varrição todos os dias e de lavagem semanalmente, mas fará uma vistoria na área no dia 26. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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