Brasil

Toda atenção à base

Se o presidente interino Michel Temer esperava tranquilidade na reta final do processo de impeachment, enganou-se redondamente. A fina camada de cola que mantém sua base aliada unida sofre novos abalados a cada dia. A principal delas foi a discordância entre seu partido, o PMDB, e o PSDB a respeito dos ajustes de salário do funcionalismo […]

SENADO: a PEC do teto, a ser aprovada nesta segunda, tem oposição de 60% dos brasileiros  / Edilson Rodrigues/Agência Senado (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

SENADO: a PEC do teto, a ser aprovada nesta segunda, tem oposição de 60% dos brasileiros / Edilson Rodrigues/Agência Senado (Edilson Rodrigues/Agência Senado)

DR

Da Redação

Publicado em 26 de agosto de 2016 às 06h21.

Última atualização em 23 de junho de 2017 às 18h58.

Se o presidente interino Michel Temer esperava tranquilidade na reta final do processo de impeachment, enganou-se redondamente. A fina camada de cola que mantém sua base aliada unida sofre novos abalados a cada dia.

A principal delas foi a discordância entre seu partido, o PMDB, e o PSDB a respeito dos ajustes de salário do funcionalismo público. O dilema é o aumento do contracheque dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que geraria um efeito em cascata de outras carreiras públicas. Tucanos querem evitar a impressão de que o déficit fiscal aprovado no Congresso se transforme em “cheque especial” para gasto desenfreado de dinheiro público. O PMDB, por sua vez, não pretende se indispor com o eleitor nem com o Judiciário conforme a Operação Lava-Jato bate à porta.

O próprio presidente interino agiu para apaziguar os ânimos. Chamou senadores para reuniões em que prometeu destravar promessas, como mais de 1.500 obras paradas nos estados, e articulou apoio em eleições municipais. Garantiu também que projetos de lei de interesse teriam apoio da base para serem aprovados.

A questão que se faz é uma só: ao equilibrar pratos e atender a interesses tão diversos, Temer vai conseguir conciliar levar à frente as medidas impopulares do ajuste fiscal? Segundo um grupo crescente de analistas, tudo vai depender da economia. Se a recuperação vier rápida, como espera o governo, tudo fica mais fácil. “A instabilidade na coalizão acompanha a variação do cenário econômico. É sempre assim”, diz o cientista político Sérgio Abranches.

A sessão de ontem no Senado foi marcada por intenso bate-boca, e suspensa às 00h17. Hoje, as testemunhas continuam a ser ouvidas. Temer, assim como fez nesta quinta-feira, vai se dedicar a ouvir outro tipo de demanda.

 

Acompanhe tudo sobre:Exame HojeÀs Sete

Mais de Brasil

Flávio defende suspender reforma tributária e é questionado em evento da CNI

PGR defende validade de pesquisa eleitoral que apontava queda de Flávio Bolsonaro

Defesa de Jaques Wagner recorre ao STF para anular busca da PF no Caso Master

Nova regra permite ao Judiciário até 100 dias a mais de folga que empregados 6x1