Renata Paiva Angelini, Head Jurídico atuante no Mercado Financeiro
Redatora
Publicado em 31 de julho de 2026 às 05h36.
Em uma sala de aula do ABP-W, Advanced Boardroom Program for Women, programa da Saint Paul voltado a conselheiras e futuras conselheiras, Renata Paiva Angelini leu a íntegra da denúncia detalhada do Ministério Público, com mais de 400 páginas, sobre um caso que chocante na época do ocorrido.
Era o pre-work para a aula de Governança Corporativa, que impactou a aluna em muitos outros aspectos daquela matéria curricular.
"Aquilo me chocou não só pelo ambiente de estudo de governança, mas pela análise ali provocativa do professor, fazendo-nos refletir no verdadeiro papel do Conselho, da Diretoria e dos Acionistas, e quais atitudes que aqueles membros poderiam ter tomado para evitar a catástrofe e salvar tantas vidas.
A reflexão nos levava a pensar além da parte técnica, era a genuína provocação do papel de um Conselheiro e sua responsabilidade..
Advogada com mais de 20 anos de atuação em Societário, Governança Corporativa, M&A e Operações Financeiras Estruturadas, Renata é hoje executiva jurídica atuante no mercado financeiro e membro de Comitês de Governança. Sua trajetória passou por empresas familiares, multinacionais e de capital aberto, com passagens pelo setor de energia eólica e trading, sempre com um pé voltado à tecnologia.
"Eu comecei sempre muito voltada à tecnologia, passei por algumas empresas de energia, mas sempre também olhando tech. Banco foi minha última movimentação, depois de alguns anos na indústria de varejo", diz.
No atual Banco onde atua, desempenha especialmente atividades voltadas ao setor financeiro regulado, além da governança do conselho junto ao C-level executivo da companhia. "Atuar em um banco digital sempre tem uma tendência de dinamismo, envolvendo assuntos voltados ao setor de tecnologia, sejam contratos, fusões e aquisições ou temas de propriedade intelectual", diz.
O caminho até a Saint Paul passou por uma relação pessoal nascida de uma parceria profissional anterior. Renata conheceu a escola por meio da amiga Cláudia Securato, e já conhecia José Cláudio Securato do próprio universo corporativo e da advocacia.
Quando a primeira turma do ABP-W começou, Cláudia a convidou. Não deu certo naquele momento e a segunda turma também não coincidiu. "Acabei entrando na turma três", diz.
O programa provocou nela uma reação diferente da de outras alunas que estranharam o recorte.
“Eu sentia que seria mais fácil encarar o desafio num ambiente em que apenas mulheres seriam alunas. Só pensava: “ai, que bom, só vai ter mulher, vai ser mais confortável poder errar ali", ela complementa.
Entre os módulos do ABP-W, o de governança corporativa foi um dos que mais marcou sua passagem pela Saint Paul, justamente pelo caso do rompimento da barragem analisado em sala. A experiência não se limitou ao conteúdo técnico. Foi, segundo ela, sobre o que a formação revelou de possível ausência nas estruturas de conselho e diretoria diante de uma tragédia real, e a importância deste papel nas organizações.
Renata avalia a dimensão que o curso teve em sua formação técnica: “Ter feito o curso foi uma mudança de página, me elevou a outro nível de consciência profissional e me direcionou de forma muito mais clara e estratégica. Foi uma quebra total de paradigma para mim", diz.
Renata entrou no programa esperando aprofundar a parte técnica, algo que já buscava e que, segundo ela, já vivia em parte no ambiente de conselhos antes mesmo de ingressar no ABP-W, por conta da própria advocacia.
Mas o que mais a transformou não foi o conteúdo técnico. "Não foi esse o meu “pulo do gato”. Ter um conteúdo técnico robusto como o proporcionado pela Saint Paul é, sem dúvida, um diferencial.
Renata Paiva Angelini, Head Jurídico atuante no Mercado Financeiro
Dá mais segurança para me expor no ambiente corporativo de C-level e conselhos. Mas o importantíssimo para mim foi um olhar como um todo, a leitura de ambiente, timing de negociação, como levar assuntos, entendimento de mercado, de pessoas, do que acontece, de como são as discussões, um amadurecimento profissional e percepção estratégica", diz.
O módulo internacional da turma três aconteceu em Berlim, com aulas voltadas a empresas familiares e à governança em ambientes centenários, sob o viés de tecnologia. Para Renata, o tema conversava diretamente com sua trajetória profissional e também com sua vida pessoal, já que tem família na Alemanha.
"Foi super gostoso. É uma viagem que você faz com um monte de gente, um ambiente super acolhedor", diz.
Depois de Berlim, ela chegou a se inscrever para outro módulo internacional, na Espanha, mas uma transição de trabalho impediu que a data coincidisse. "Eu ia, se eu não me engano, para a Espanha. Cheguei a ter aquele namoro ali, me inscrevi, mas não consegui finalizar o planejamento em razão de uma mudança de trabalho. Ainda tentei me juntar ao grupo em algum outro, não me lembro exatamente qual, e não consegui coincidir com a época", diz.
Ao olhar para os dez anos do ABP-W e para a trajetória de tantas mulheres que passaram pelo programa desde então, Renata reconhece nas alunas mais recentes as mesmas dúvidas que carregou ao entrar na turma três.
Em um ambiente com executivas e herdeiras já consolidadas no universo de conselhos e governança, ela se perguntou se tinha lugar ali.
"Eu me perguntava constantemente se tinha “direito” de estar ali. E depois que a gente vai conhecendo, vai conversando, vai entendendo qual é a trajetória das pessoas, percebe que não é só uma questão pessoal. Muitas mulheres que eu considerava absolutamente ‘poderosas” compartilharam inseguranças pessoais e dúvidas básicas, que na maioria das vezes só existiam nas nossas cabeças. No fim das contas cada uma tem uma experiência que somada às outras, agrega e aperfeiçoa a própria", diz.