Teste de Bolsonaro aproxima coronavírus da política

Bolsonaro retornou dos EUA com o secretario de comunicação, Fábio Wajngarten, que testou positivo para o novo coronavírus

São Paulo — A dúdiva sobre se o presidente Jair Bolsonaro está ou não infectado pelo novo coronavírus foi respondida nesta sexta-feira. Em postagem na sua página oficial no Facebook, a equipe do presidente disse que ele não está com a doença.

Bolsonaro, sua mulher, Michele, e seu filho, Eduardo, voltaram dos Estados Unidos na madrugada de quarta-feira junto com o secretário de Comunicação, Fábio Wajngarten, que testou positivo para o coronavírus Covid-19 nesta quinta-feira.

Se tivésse testado como positivo, Bolsonaro poderia ter engrossado uma lista de líderes globais estão com coronavírus. O presidente americano, Donald Trump, e seu vice, Mike Pence, que estiveram com Wajngarten, também entraram para o grupo de risco.

Apesar disso, ontem, Trump afirmou não estar preocupado. O primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, anunciou ontem quarentena depois de sua mulher, Sophie, ter sido contagiada. Um ministro australiano também foi confirmado com a doença.

O exemplo que ninguém espera seguir é o do Irã, onde uma reação tardia à doença, apimentada por fake news, levou dezenas de parlamentares a ficarem doentes. Quatro morreram. A vice-presidente Masoumeh Ebtekar está infectada. Ainda assim, como reforça Sérgio Praça, professor na FGV e colunista de EXAME, o líder da Guarda Revolucionária, Hossein Salami, afirma que o vírus é um ataque biológico comandado pelos Estados Unidos.

Ontem à noite Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, apareceram de máscara numa transmissão ao vivo publicada nas redes sociais. Um dia antes o próprio presidente havia afirmado que a crise do coronavírus era uma “fantasia propagada pela mídia”. Nessa mesma transmissão, o presidente pediu que seus apoiadores repensem manifestações agendadas para domingo contra o Congresso, porque elas poderiam colocar em risco a saúde da população.

Enquanto monitora os integrantes do Planalto, o governo se mexe para tentar responder ao previsível aumento da propagação de casos de coronavírus. O país tem, até agora, 77 casos confirmados.

Mandetta está negociando a liberação de 5 bilhões de reais do orçamento para a contratação de até 5.000 médicos e para equipamentos e adaptação de espaços físicos. O Brasil tem 28.000 leitos de UTI e o ministério da Saúde afirmou, ontem, que a oferta poderá crescer em 2.000 leitos para atender os pacientes de coronavírus.

Para além das questões de saúde, o coronavírus deve dificultar ainda mais a articulação política e a tramitação de reformas. Bolsonaro suspendeu compromissos públicos. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que esteve recentemente na Europa, também. Segundo o jornal Folha de S.Paulo, senadores estudam a interrupção das atividades parlamentares.

Impacto na economia

Nesta sexta-feira, o ministro Paulo Guedes disse que vai anunciar medidas para evitar efeitos do coronavírus na economia ao longo nos próximos dias.

Como medida para estimular compras, governo já anunciou o adiantamento do 13º salário de aposentados e pensionistas.

Falando a jornalistas após chegada ao Ministério da Economia, Guedes também afirmou que o governo vai importar produtos médicos e hospitalares sem tarifas. Na mesa do time econômico também está a análise do que pode eventualmente ser feito em relação a recursos não sacados de PIS/Pasep.

Segundo o ministro, as soluções em questão não ameaçam a busca por equilíbrio fiscal.

A epidemia do novo coronavírus no mundo

Números atualizados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) demonstram que a epidemia do novo coronavírus já atinge mais de 130.000 pessoas e a doença já fez quase 5.000 vítimas fatais.

O aumento deve-se, em especial, a casos confirmados na Itália, o segundo país mais afetado depois da China. As autoridades italianas registraram 2.651 novos casos nas últimas 24 horas. Nesta sexta-feira, 13, o país continua em quarentena.

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