Repórter
Publicado em 16 de julho de 2026 às 08h50.
O novo tarifaço dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros pode afetar mais de US$ 11 bilhões em exportações da indústria e do agronegócio, segundo estimativa divulgada nesta quarta-feira, 15, pela Amcham Brasil.
Para a Câmara Americana de Comércio, a medida representa um "resultado muito negativo" para a relação bilateral e tende a reduzir ainda mais o comércio entre os dois países.
Na avaliação da entidade, a sobretaxa de 25% imposta pelo governo de Donald Trump coloca o Brasil entre os países com as condições mais restritivas para acessar o mercado americano. A Amcham afirma que, além de prejudicar exportadores brasileiros, a medida elevará custos para empresas e consumidores dos Estados Unidos e poderá aumentar a dependência americana de fornecedores asiáticos.
"Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas", afirmou Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil, em nota.
A entidade também alertou que o comércio bilateral já acumula queda de 13% neste ano e que uma nova investigação americana sobre trabalho forçado poderá elevar as tarifas sobre produtos brasileiros para até 37,5%.
Horas após a confirmação das novas tarifas, o governo brasileiro divulgou uma nota em que repudiou a decisão dos Estados Unidos, classificou a medida como unilateral e anunciou que recorrerá à Lei da Reciprocidade Econômica e à Organização Mundial do Comércio (OMC).
"O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país", afirmou o Planalto.
O governo também rebateu as acusações feitas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais envolvendo o Pix, a regulação das plataformas digitais e o combate ao desmatamento. Na nota, o Planalto afirmou que "o Pix é um patrimônio do nosso povo" e defendeu que o Brasil reduziu "drasticamente o desmatamento em todos os biomas" desde 2023.
Além disso, o Executivo informou que iniciará imediatamente os procedimentos para aplicar a Lei da Reciprocidade Econômica e retomará o caso no mecanismo de solução de controvérsias da OMC.
"A decisão do governo dos Estados Unidos, divulgada em 15 de julho, de aplicar sobretaxas de 25% sobre cerca de 3.000 produtos que o Brasil exporta, como conclusão da investigação da Seção 301 sobre práticas comerciais do Brasil, consiste em um resultado muito negativo para a relação bilateral.
A medida, que entra em vigor a partir de 22 de julho, coloca o Brasil entre os países com condições mais restritivas no mundo para acessar o mercado norte-americano, afetando duramente mais de US$ 11 bilhões em exportações industriais e do agronegócio. Esse tratamento contrasta com o crescente superávit comercial dos Estados Unidos com o Brasil — de US$ 41,8 bilhões em bens e serviços em 2025 — e com o baixo patamar das tarifas efetivamente aplicadas pelo Brasil aos produtos norte-americanos.
Ademais de prejudicar exportadores e produtores brasileiros, a aplicação de sobretaxas tende a elevar custos para as empresas e consumidores dos Estados Unidos, reduzir a competitividade de suas indústrias que utilizam insumos brasileiros, bem como ampliar a sua dependência de fornecedores asiáticos, com potencial para agravar o déficit comercial norte-americano com países daquela região. Além disso, ela limita as oportunidades de cooperação entre o Brasil e os Estados Unidos em áreas estratégicas, como minerais críticos, energia, economia digital e propriedade intelectual.
O aumento das tarifas também tende a aprofundar a retração do comércio bilateral, que já registra queda de 13% no ano e levou a participação dos Estados Unidos no comércio exterior brasileiro ao menor patamar histórico. Também poderá afetar negativamente os investimentos bilaterais, que mantêm estreita relação com o dinamismo das trocas entre os dois países.
“Esperamos que os governos do Brasil e dos Estados Unidos mantenham abertos os canais de diálogo. Embora não tenha sido possível alcançar um acordo, as negociações se intensificaram nos últimos meses e seguem sendo o caminho mais eficaz para a retirada das sobretaxas e a construção de uma agenda bilateral mais ampla. Esse esforço torna-se ainda mais urgente diante da probabilidade de novas tarifas no âmbito da investigação da Seção 301 sobre trabalho forçado, que poderão elevar as sobretaxas sobre produtos brasileiros para até 37,5%”, afirma Abrão Neto, presidente da Amcham Brasil.
A Amcham Brasil considera positiva a definição de uma lista expressiva de produtos excluídos das sobretaxas, o que contribui para mitigar parte dos seus impactos. Ao mesmo tempo, solicita a criação de um mecanismo para avaliar novas exclusões para produtos cujas sobretaxas possam gerar impactos econômicos desproporcionais para empresas e consumidores ou que não contribuam de forma efetiva para resolver as preocupações comerciais apontadas pelos Estados Unidos.
A Amcham Brasil seguirá atuando para aproximar os setores público e privado dos dois países e apoiar oportunidades de crescimento, investimentos e geração de empregos em ambas as economias."