Repórter
Publicado em 20 de março de 2026 às 20h32.
A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por 4 votos a 0, manter a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.
O julgamento virtual foi concluído nesta sexta-feira, 20, com a validação da decisão do ministro André Mendonça, proferida no dia 4 deste mês.
A decisão também mantém as prisões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e apontado como operador financeiro, e de Marilson Roseno da Silva, escrivão aposentado da Polícia Federal acusado de acesso a informações sigilosas. Ambos são investigados no mesmo caso.
O julgamento teve início na sexta-feira, 13, quando a maioria foi formada com os votos de André Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. O último voto foi apresentado por Gilmar Mendes, que acompanhou o relator, mas registrou ressalvas quanto à fundamentação da prisão preventiva.
O ministro Dias Toffoli se declarou suspeito e não participou da análise. Ele é sócio do resort Tayayá, no Paraná, empreendimento adquirido por um fundo de investimentos ligado ao Banco Master e investigado pela Polícia Federal.
Na semana passada, após a formação de maioria no Supremo, Vorcaro alterou sua estratégia jurídica. A defesa conduzida por Pierpaolo Bottini deixou o caso e foi substituída pelo advogado José Luis Oliveira.
A troca é interpretada como indicativo de negociação de acordo de colaboração premiada, mecanismo jurídico conhecido como plea bargain, utilizado para obtenção de informações em investigações.
O banqueiro foi transferido da Penitenciária Federal em Brasília para a carceragem da superintendência da Polícia Federal, movimento que integra as tratativas para possível delação premiada. As negociações envolvem delegados responsáveis pelo inquérito e a Procuradoria-Geral da República (PGR), órgão responsável pela acusação no STF.