Brasil

STF forma maioria contra uso do marco temporal na demarcação de terras indígenas

Maioria foi formada com o voto do ministro Alexandre de Moraes, que seguiu o relator, ministro Gilmar Mendes

Mateus Omena
Mateus Omena

Repórter

Publicado em 17 de dezembro de 2025 às 16h24.

Tudo sobreIndígenas
Saiba mais

O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria pela invalidade da aplicação do marco temporal na demarcação de áreas indígenas.

A maioria foi formada com o voto do ministro Alexandre de Moraes, que seguiu o posicionamento do relator, ministro Gilmar Mendes.

O julgamento, que ocorre no plenário virtual, envolve quatro ações que questionam pontos da lei aprovada em 2023, a qual estabelece o critério de marco temporal para a delimitação das terras dos povos originários.

Essa norma foi uma reação do Congresso Nacional à decisão do STF, também em 2023, que considerou o marco temporal inconstitucional. Prevaleceu, portanto, o voto do relator, ministro Gilmar Mendes, que tem se mostrado contrário à aplicação do critério do marco temporal.

Os ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Luiz Fux e Alexandre de Moraes acompanharam o entendimento do relator e também votaram pela invalidade do marco temporal nas decisões relacionadas aos conflitos de terras indígenas.

Entenda as divergências por trás do marco temporal

Em 2023, o STF analisou um caso específico e decidiu que a tese do marco temporal para a demarcação de terras indígenas é inconstitucional, em um julgamento de "repercussão geral". Isso significa que a decisão valeria para todos os outros processos sobre o mesmo tema.

Apesar dessa decisão do Supremo, o Congresso Nacional aprovou um projeto de lei que mantinha o critério do marco temporal para a demarcação de terras indígenas, desconsiderando o entendimento da Corte.

O projeto foi aprovado pelos parlamentares e vetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por outro lado, os vetos foram derrubados pelo Congresso, e a lei que estabelece o marco temporal foi sancionada, sendo agora objeto do julgamento no STF.

Além disso, o Senado também aprovou um projeto de emenda à Constituição (PEC) que busca incluir a tese do marco temporal diretamente na Constituição, o que tornaria a regra imutável. Este texto seguiu para a análise da Câmara dos Deputados e, caso seja aprovado, pode ser promulgado sem a necessidade de sanção presidencial, alterando a Constituição diretamente.

(Com informações da agência O Globo)

Acompanhe tudo sobre:Supremo Tribunal Federal (STF)IndígenasGoverno Lula

Mais de Brasil

Lula diz que enviará novamente ao Senado indicação de Jorge Messias ao STF

Anvisa autoriza funcionamento de fábrica da Ypê em São Paulo

Atlas: Lula tem vantagem de 29 pontos contra Flávio no 1º turno no Rio Grande do Norte

Atlas: Samanda Alves e Styvenson lideram disputa ao Senado no Rio Grande do Norte