Cláudio Castro: impasse jurídico trava definição do sucessor após dupla vacância. (PABLO PORCIUNCULA/AFP/Getty Images)
Repórter
Publicado em 30 de março de 2026 às 07h13.
O governo do Rio de Janeiro está sob comando interino desde a semana passada, após a renúncia do então governador Cláudio Castro (PL), que deixou o cargo para disputar o Senado nas eleições de outubro.
No dia seguinte à renúncia, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) declarou Castro inelegível por oito anos. Sem vice-governador — já que Thiago Pampolha havia deixado o posto para assumir vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE) —, o estado entrou em situação de dupla vacância no Executivo.
Diante da ausência de substituto direto, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Ricardo Couto, assumiu como governador em exercício, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).
Pelas regras, o comando do estado deveria ser transferido ao presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). No entanto, a sucessão foi interrompida após a cassação de Rodrigo Bacellar, que está preso.
A Assembleia chegou a eleger, de forma acelerada, o deputado Douglas Ruas para a presidência, com o objetivo de levá-lo ao governo. A eleição, porém, foi anulada pela Justiça por descumprimento de regras.
Com a linha sucessória comprometida, o caso foi levado ao STF. O ministro Cristiano Zanin determinou que Ricardo Couto permaneça no cargo até que haja definição sobre o modelo de eleição para escolha do novo governador.
A definição do sucessor depende de decisão do STF sobre o modelo de eleição a ser adotado.
Há dois cenários em análise:
O tema começou a ser analisado no plenário virtual do STF, onde havia maioria para validar pontos da eleição indireta, como voto secreto e prazo de desincompatibilização de 24 horas.
Ao mesmo tempo, ministros abriram divergência a favor da eleição direta, posição acompanhada por Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Diante do impasse, Zanin suspendeu a análise virtual, determinou o reinício do julgamento no plenário físico e manteve o atual governador em exercício.
A definição sobre o modelo de eleição deve ocorrer no início de abril, após a Semana Santa, quando o STF deve retomar o julgamento.
O impasse envolve entendimentos distintos entre as cortes: o TSE indicou a possibilidade de eleição indireta, enquanto o STF tem precedentes que admitem eleição direta em casos de vacância.
O governador eleito, independentemente do modelo adotado, cumprirá um mandato-tampão até o fim do atual ciclo, paralelo às eleições regulares previstas para 2026.
*Com O Globo