Brasil

Sem consenso, MP sobre concessões de rodovias perde a validade

Para que os efeitos da medida continuassem valendo, o texto precisaria ter sido votado na Câmara e no Senado até esta segunda-feira

Rodovias: pontos como a renovação da concessão de portos e a falta de punição para a empresa que não cumprir o cronograma dos investimentos foram os que sofreram mais resistência (André Lessa/Exame)

Rodovias: pontos como a renovação da concessão de portos e a falta de punição para a empresa que não cumprir o cronograma dos investimentos foram os que sofreram mais resistência (André Lessa/Exame)

AB

Agência Brasil

Publicado em 26 de fevereiro de 2018 às 14h56.

Sem consenso na Câmara para ir a votação, a medida provisória (MP) 800/2017, que estabelece as diretrizes para a reprogramação de investimentos em concessões rodoviárias federais, perde a validade hoje (26). Para que os efeitos da medida continuassem valendo, o texto precisaria ter sido votado na Câmara e no Senado até esta segunda-feira.

Contrários à MP, vários partidos - inclusive da base - obstruíram a votação na sessão da Câmara na última quarta-feira (21). O DEM e o PSDB chegaram a retirar a obstrução à MP, mas PSB, PDT, PT, PCdoB, Psol PV, Podemos, PTB, Pros e PSD continuaram obstruindo a sessão. Pontos incluídos na MP, como a renovação da concessão de portos e a falta de punição para a empresa que não cumprir o cronograma dos investimentos, foram os que sofreram mais resistência.

O deputado Fábio Trad (PSD-MT) sugeriu que o governo reedite a medida provisória para dar mais tempo para a negociação do texto. Mas os deputados Esperidião Amin (PP-SC) e Hugo Leal (PSB-RJ) lembraram que em 2016 o governo já tentou rever os contratos de concessão de rodovias ao incluir o alongamento dos investimentos na MP 752/16. À época, o plenário também não concordou com a medida.

Hugo Leal destacou ainda que o usuário perderia com o novo prazo para os investimentos. "São rodovias que não são duplicadas, ampliando o risco de mortes e acidentes", disse. Já o deputado Afonso Motta (PDT-RS) ressaltou que seriam beneficiadas as empresas que não cumpriram os contratos. "A medida é benevolente com os concessionários que descumprem as obrigações contratuais, gerando riscos ao usuário", avaliou.

O parecer apresentado pelo relator da proposta, deputado José Rocha (PR-BA), previa a postergação dos investimentos uma única vez em comum acordo com a concessionária. O prazo máximo da reprogramação seria de até 14 anos, condicionado à demonstração da sustentabilidade econômico-financeira da concessão. A reprogramação implicaria ainda na suspensão das obrigações de investimentos e no cancelamento das multas pelo atraso das empresas.

A Agência Brasil entrou em contato com a Casa Civil para saber se há interesse do governo em alterar a proposta e mandar um novo texto ao Congresso sobre o assunto, mas até o fechamento dessa reportagem, não houve retorno.

 

Acompanhe tudo sobre:Câmara dos DeputadosSenadoExploração de rodovias

Mais de Brasil

Lula critica inação do Conselho de Segurança da ONU em conflitos mundiais

Bolsonaro segue na UTI com pneumonia bilateral, mas estável, diz boletim médico

Zema renuncia ao governo de Minas e passa o cargo ao vice Mateus Simões

Temporal no RS: Uruguaiana registra ventos de 85 km/h e 6 mil imóveis sem luz; veja vídeo