Redação Exame
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 06h22.
O novo valor do salário mínimo nacional começou a valer desde o dia 1º de janeiro.
O reajuste representa alta de 6,79% em relação ao piso anterior, de R$ 1.518, e considera a inflação acumulada pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) nos últimos 12 meses até novembro, além de um ganho real limitado pelas regras do arcabouço fiscal.
O valor foi fixado em R$ 1.621.
Benefícios vinculados ao salário mínimo, como seguro-desemprego e Benefício de Prestação Continuada (BPC), serão pagos com o valor reajustado a partir do início de fevereiro.
Segundo o Dieese, para garantir a manutenção de uma família de quatro pessoas, o salário mínimo ideal em novembro deveria ter sido de R$ 7.067,18 — 4,66 vezes o piso nacional. Pela Constituição, o mínimo deve ser corrigido ao menos pela inflação para preservar o poder de compra.
O salário mínimo serve de referência para cerca de 59,9 milhões de brasileiros, de acordo com nota técnica do Dieese. Se fosse aplicado apenas o reajuste pela inflação, o valor subiria para aproximadamente R$ 1.582, considerando a variação de 4,18% do INPC.
Durante a campanha, o governo Lula prometeu retomar a política de valorização do salário mínimo, com aumentos acima da inflação. Em 2023, o Congresso aprovou medida provisória que incluiu esse mecanismo na lei, prevendo reajustes com base na inflação e no crescimento do PIB dos dois anos anteriores.
Por essa regra, o mínimo poderia chegar a R$ 1.636 em 2026, considerando a inflação de 4,18% e o crescimento do PIB de 3,4%. No entanto, uma lei aprovada em dezembro limitou o aumento real a 2,5%, conforme o teto de gastos do arcabouço fiscal.
Cada R$ 1 de aumento no salário mínimo gera uma despesa adicional de cerca de R$ 420 milhões em 2026, segundo cálculos do governo. Como benefícios previdenciários e outros pagamentos não podem ser inferiores ao mínimo, o reajuste eleva gastos obrigatórios e reduz recursos para despesas discricionárias, afetando políticas públicas.