Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 09h28.
O número de roubos e furtos de carros elétricos e híbridos dobrou no estado de São Paulo em apenas um ano. É o que aponta um levantamento de uma empresa especializada em rastreamento e recuperação veicular, a Iturian.
Em 2025, foram 88 ocorrências, contra 44 em 2024.
A pesquisa revela ainda uma mudança no perfil dos crimes. No ano passado, 52% dos casos foram de furto — quando o veículo é levado sem violência — e 48% de roubo. Já em 2024, o cenário era inverso: 56% eram roubos e 44% furtos.
“Antes, a ligação direta era simples de fazer. Agora, eles montaram uma estratégia para furtar esses carros. Entram no veículo, entendem a codificação, clonam a chave e levam o carro embora”, afirma o gerente de operações da Ituran Brasil, Fernando Correia.
Ainda não há uma conclusão definitiva sobre o que motiva essa preferência pelos elétricos, mas uma das hipóteses iniciais é o valor das baterias e de componentes de alta tecnologia.
“A gente imaginou que fossem as baterias, que poderiam ser revendidas no comércio clandestino ou até em anúncios de peças na internet, mas ainda não conseguimos confirmar isso”, diz Correia.
E esses anúncios existem. Em plataformas online, uma bateria de assoalho usada pode ser encontrada por cerca de R$ 35 mil, enquanto a mesma peça nova ultrapassa os R$ 90 mil.
Mesmo com números absolutos ainda menores do que os dos carros a combustão, o ritmo de crescimento preocupa. Em apenas um ano, os crimes contra veículos eletrificados dispararam, mostrando que a tecnologia que veio para economizar e preservar o meio ambiente também passou a atrair o crime organizado.