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Representante da Davati diz que soube de pedido de "comissão" por vacinas

Luiz Paulo Dominguetti relatou a Cristiano Carvalho o caso ocorrido em um jantar em Brasília, mas sem citar a palavra “propina”

 (Pedro França/Agência Senado)

(Pedro França/Agência Senado)

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Alessandra Azevedo, de Brasília

15 de julho de 2021, 15h57

O representante da Davati Medical Supply no Brasil, Cristiano Carvalho, afirmou à CPI da Covid nesta quinta-feira, 15, que soube de um pedido de “comissionamento” que teria sido feito durante as negociações pela venda da vacina AstraZeneca ao governo federal, em fevereiro deste ano.

O cabo da PM Luiz Paulo Dominguetti, que atuava como vendedor de vacinas da Davati, relatou a ele o caso ocorrido em um jantar em Brasília, mas sem citar a palavra “propina”, segundo Carvalho. O nome teria sido “comissionamento”. O representante da empresa ressaltou que não participou do jantar, apenas ouviu o relato.

“A informação que veio a mim, vale ressaltar isso, não foi o nome de propina. Ele usou ‘comissionamento’. Ele se referiu a esse comissionamento sendo do grupo do tenente-coronel Blanco e da pessoa que o tinha apresentado ao Blanco, que é de nome Odilon”, afirmou Carvalho.

Segundo o representante da Davati, Dominguetti não disse que o pedido de propina teria partido de Roberto Dias, ex-diretor de logística do Ministério da Saúde, como o PM contou em depoimento à CPI. “Inicialmente ele falou que se tratava de comissão, que o coronel Blanco e Odilon estavam tratando disso”, disse.

Perguntado se o pedido teria partido de Dias, Carvalho disse que não foi assim que soube da história. “Ele não citou o nome. Falou ‘grupo do Blanco”, disse. “No primeiro momento, a informação que tive foi que teria sido o Blanco, na presença do Roberto Dias”, acrescentou, pouco depois, quando voltou a ser questionado sobre o assunto.

Carvalho negou conhecer Odilon, mas disse que uma vez recebeu uma ligação dele, perguntando justamente da “comissão”. “Uma vez ele entrou em contato comigo. Eu até relatei isso ao Dominguetti. Perguntando, inclusive, de comissão”, apontou. Odilon queria saber, “se eventualmente surgisse uma venda, quanto ele receberia”.

 

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