Raul Jungmann dedicou mais de cinco décadas à vida pública brasileira
Repórter
Publicado em 18 de janeiro de 2026 às 22h23.
Última atualização em 18 de janeiro de 2026 às 22h49.
O ex-ministro Raul Jungmann morreu neste domingo, 18, aos 73 anos, em Brasília. Ele estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, e lutava há anos contra um câncer de pâncreas. O velório ocorrerá em cerimônia reservada a familiares e amigos próximos.
Jungmann foi ministro da Reforma Agrária, durante o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, mas também entrou para a história da administração pública brasileira ao se tornar, em 2018, o primeiro ministro da Segurança Pública do país, pasta criada pelo então presidente Michel Temer em meio à escalada da violência e à intervenção federal no Rio de Janeiro.
A decisão de criar o ministério foi anunciada por Temer durante uma reunião com autoridades no Rio, em fevereiro daquele ano, quando o presidente defendeu uma maior presença e coordenação da União na área de segurança, diante das sucessivas operações com forças federais e até das Forças Armadas nos estados.
A criação da nova pasta tinha como objetivo centralizar políticas de segurança, fortalecer a atuação federal e dar respostas institucionais a um problema que se agravava em diversas regiões do país.
Jungmann, que à época ocupava o Ministério da Defesa, foi escolhido para comandar a nova estrutura, em razão de sua atuação na área de Segurança e Defesa e de sua relação de confiança com as Forças Armadas.
À frente do Ministério da Segurança Pública, Jungmann coordenou o emprego das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), com destaque para a intervenção federal no Rio de Janeiro.
Apesar de sua curta existência, a pasta deixou como principal legado a defesa de uma reorganização federal da política de segurança. Nesse contexto, Jungmann foi um dos principais articuladores do Sistema Único de Segurança Pública (Susp), aprovado em 2018.
O modelo prevê a integração das forças policiais e dos órgãos de inteligência da União, dos estados e dos municípios, uma diretriz que voltou a ser defendida pelo governo Lula como eixo estruturante da política de segurança pública.
Ele também atuou como deputado federal pelo estado de Pernambuco e foi filiado aos partidos MDB e Cidadania (antigo PPS).
Durante seu mandato, Jungmann também ficou conhecido por ser um dos grandes defensores do desarmamento, na época do referendo, em 2005, em que a população respondeu se era ou não favorável ao comércio de armas de fogo e munição no país.
Natural de Recife, Raul Jungmann chegou a ingressar no curso de psicologia da Universidade Católica de Pernambuco, mas não concluiu a graduação.
Sua trajetória política começou ainda sob a ditadura militar, período em que se filiou ao MDB, legenda que fazia oposição ao regime. Na década de 1980, participou ativamente da campanha pelas Diretas Já.
Com a redemocratização, passou a integrar o Partido Comunista Brasileiro (PCB), o chamado Partidão, que mais tarde, sob a liderança do também pernambucano Roberto Freire, daria origem ao PPS, hoje rebatizado de Cidadania.
Ao longo de sua trajetória, ocupou também a presidência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
Desde março de 2022, ele era presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), entidade que representa o setor da mineração no país.
"Sob sua liderança, o Ibram fortaleceu seu protagonismo institucional e seu compromisso com a legalidade, a sustentabilidade, a inovação e o papel estratégico dos minerais na transição energética global", afirmou a entidade em nota de pesar neste domingo.
"Jungmann será lembrado por sua competência, visão estratégica, capacidade de articulação e pelo legado de diálogo e ética que deixa não apenas na mineração, mas em toda a vida pública brasileira", acrescentou a entidade.
Raul Jungmann deixa a esposa e dois filhos.