Um dos nomes avaliados pelo PT para integrar o palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Minas Gerais, o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) reúne no histórico político uma trajetória marcada por forte oposição ao partido — incluindo a assinatura de um pedido de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.
A movimentação ocorre em meio às articulações do PT para definir sua estratégia no segundo maior colégio eleitoral do país, onde o partido ainda não consolidou um nome competitivo para a disputa ao governo estadual após Rodrigo Pacheco (PSB) afirmar que não disputará a eleição.
Da juventude tucana ao MDB
Gabriel Azevedo iniciou sua trajetória política em 2005, aos 19 anos, quando se filiou ao PSDB. No período, atuou em movimentos internos da juventude tucana e participou de articulações ligadas a campanhas de nomes tradicionais do partido em Minas Gerais.
Entre as experiências mais simbólicas desse período está a criação da “Turma do Chapéu”, grupo de jovens militantes que buscava modernizar a atuação da juventude do PSDB e que participou de campanhas como as de Antonio Anastasia ao governo mineiro e Aécio Neves ao Senado, em 2010.
Impeachment de Dilma e oposição ao PT
Em 2016, durante o processo político que culminou no impeachment de Dilma Rousseff, Azevedo assinou um dos pedidos apresentados na época. O movimento é hoje um dos principais pontos de desgaste em sua possível aproximação com o campo petista.
Naquele período, o ex-vereador também era filiado ao Patriota e afirma ter deixado a legenda após divergências internas. Mais recentemente, passou a reforçar que também apresentou críticas e ações políticas contra o governo de Jair Bolsonaro, em tentativa de equilibrar sua trajetória.
Da Câmara de BH ao radar de alianças nacionais
Presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte entre 2023 e 2024, Azevedo ampliou sua projeção política no estado e passou a ser citado em negociações envolvendo diferentes partidos.
Nos últimos meses, ele manteve conversas com lideranças nacionais do PT, incluindo o presidente do partido, Edinho Silva, em meio à busca por uma alternativa ao nome inicialmente preferido por Lula para Minas Gerais.
A maior defensora de uma composição com o ex-vereador, segundo interlocutores, é a ex-prefeita de Contagem Marília Campos, pré-candidata ao Senado, que vê na aliança uma forma de reduzir incertezas internas no partido.
Resistências e disputa interna no PT mineiro
Apesar do avanço das conversas, há resistência dentro do diretório estadual do PT à eventual aproximação com Azevedo. Parte das lideranças avalia que o histórico de oposição ao partido pode dificultar a construção de um palanque unificado.
Nos bastidores, aliados de uma eventual aliança citam outros exemplos de rearranjos políticos nacionais como argumento para reduzir a tensão, incluindo o caso do vice-presidente Geraldo Alckmin, que já foi adversário histórico de Lula e hoje integra o governo federal.
O impasse ocorre em um momento em que o PT ainda busca definir sua estratégia em Minas Gerais, após a desistência de nomes considerados prioritários pela cúpula nacional.
Alternativas em discussão
Além de Azevedo, o partido avalia outras possibilidades, como uma composição com o PSB ou até a construção de uma candidatura própria, embora essa última opção enfrente limitações de viabilidade eleitoral e disponibilidade de quadros.
Também já esteve no radar petista o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), mas as negociações perderam força após desgastes políticos desde a eleição de 2022.
Sem definição, o PT tenta acelerar a decisão sobre Minas Gerais, considerado um dos principais tabuleiros eleitorais do país, onde o partido busca recompor influência e alianças para a disputa de 2026.
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