Programa do Facebook contra 'fake news' no Brasil irrita MBL

Ação de controle de notícias falsas foi acusada de querer "asfixiar a direita" por líder do movimento

Facebook: rede social não apaga notícias identificadas como falsas, mas as torna menos visíveis e adverte usuários que quiserem compartilhá-las (Dado Ruvic/Reuters)

Facebook: rede social não apaga notícias identificadas como falsas, mas as torna menos visíveis e adverte usuários que quiserem compartilhá-las (Dado Ruvic/Reuters)

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AFP

Publicado em 21 de maio de 2018 às 15h31.

Última atualização em 21 de maio de 2018 às 16h08.

Um programa de controle das "fake news" (notícias falsas), lançado na semana passada pelo Facebook no Brasil, provocou reações enfurecidas de grupos de extrema direita, que acusam a rede social de praticar "censura" e de propagar ideias "esquerdistas".

Alguns jornalistas das agências Lupa e Aos Fatos, associados ao Facebook, denunciaram ameaças que podiam chegar, inclusive, a membros de suas famílias.

"Ataques pessoais, difamação e ameaças. É completamente intolerável", declarou nesta segunda-feira (21) a diretora da Lupa, Cristina Tardáguila, à rádio CBN, sem detalhar o teor das ameaças.

O Facebook já desenvolveu programas de luta contra as notícias falsas em vários países, junto com meios de comunicação como a AFP e a Associated Press nos Estados Unidos. Seus sócios são membros da Rede Internacional de Fact-Checking (IFCN).

A rede social não suprime as notícias identificadas como falsas, mas as torna menos visíveis e adverte sobre o seu caráter duvidoso aos usuários que quiserem compartilhá-las.

Essas medidas foram denunciadas como tentativas de "censura" por grupos como o Movimento Brasil Livre (MBL).

"De notícias falsas o termo passou a abranger toda e qualquer informação que desagrade o sistema de sempre, de esquerda, progressista, revolucionário e politicamente correto", afirmou Arthur do Val, um dos líderes do MBL em um vídeo publicado no YouTube.

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"Querem asfixiar a direita", reclamou Renan Santos, outro líder do movimento.

Alexios Mantzarlis, diretor da IFCN, expressou sua "preocupação" por essa campanha que é feita a poucos meses das eleições de outubro, em uma coluna publicada na quinta-feira passada no jornal Folha de S.Paulo.

"A IFCN vem acompanhando o processo em todos os países. Tem sido extremamente tranquilo, teve algum tipo de ataque nas Filipinas, mas absolutamente nada comparado ao que esta acontecendo aqui", escreveu.

Os dois favoritos nas pesquisas da eleição presidencial são o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010), preso por corrupção e cuja candidatura poderia ser invalidada, e o deputado federal de ultradireita Jair Bolsonaro.

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