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Pré-candidato ao governo, Douglas Ruas é eleito presidente da Alerj

Deputado do PL soma 44 votos e assume presidência da Casa em cenário de disputa judicial e ausência de 25 parlamentares da oposição e parlamentares ligados a Eduardo Paes (PSD)

Ruas: No discurso após a eleição, Ruas fez acenos a aliados políticos e lideranças regionais (Thiago Lontra/Alerj/Reprodução)

Ruas: No discurso após a eleição, Ruas fez acenos a aliados políticos e lideranças regionais (Thiago Lontra/Alerj/Reprodução)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 17 de abril de 2026 às 16h10.

A eleição do deputado e pré-candidato ao governo do Rio Douglas Ruas (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), com 44 votos, uma abstenção e 25 ausências, reorganiza o tabuleiro político do estado a poucos meses da disputa de outubro.

A sessão foi marcada pelo esvaziamento promovido por partidos de oposição e por tentativas de obstrução ligadas ao grupo do ex-prefeito Eduardo Paes, também pré-candidato ao governo.

A votação ocorreu sob contestação. Parlamentares de PSD, MDB, Podemos, PR, PSB, Cidadania, PCdoB, PT e PSOL optaram por não participar do pleito, enquanto acompanhavam a sessão da galeria.

O movimento foi uma reação à decisão do Tribunal de Justiça do Rio de manter o voto aberto, rejeitando pedido por votação secreta.

Dentro e fora do plenário, houve manifestações contrárias ao resultado. Deputados da esquerda reagiram com vaias após a confirmação da vitória, enquanto grupos entoaram palavras de ordem como “diretas já”. O único registro formal de abstenção foi do deputado Jari Oliveira, que, ainda assim, participou da votação para a segunda secretaria da Mesa.

No discurso após a eleição, Ruas fez acenos a aliados políticos e lideranças regionais, incluindo prefeitos e parlamentares que atuaram na articulação de sua candidatura.

Também criticou a estratégia da oposição de recorrer à Justiça e se ausentar da votação. O deputado associou o boicote à tentativa de gerar instabilidade institucional no estado.

A eleição ocorre em um momento de indefinição no comando do Executivo estadual. Sem governador ou vice, e com o afastamento do então presidente da Alerj, o governo do Rio permanece sob comando do presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto.

A decisão segue entendimento do Judiciário até definição do Supremo Tribunal Federal sobre o formato de uma eventual eleição suplementar.

Judicialização e sucessão mantêm cenário aberto

A escolha de Ruas deve ser levada ao Supremo pela oposição, que questiona o modelo de votação aberta. O argumento central é que o formato pode expor parlamentares a pressões políticas, comprometendo a independência do voto.

Aliados do novo presidente defendem a legalidade do processo e a autonomia do Legislativo estadual. Deputados da base destacaram o cumprimento do regimento interno e o respaldo das decisões judiciais recentes.

A trajetória recente de Ruas na Alerj inclui uma eleição anterior anulada pelo Tribunal de Justiça, que determinou a recontagem de votos após a cassação de Rodrigo Bacellar. O novo pleito consolida sua posição interna no PL e ocorre em paralelo à sua pré-candidatura ao governo do estado.

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