Ratinho Jr., governador do Paraná, durante debate em São Paulo (Eduardo Frazão/Exame)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 5 de abril de 2026 às 08h00.
A decisão de governadores de permanecer no cargo em 2026 abriu uma lacuna relevante na disputa pelo Senado em diversos estados.
Ao todo, ao menos oito governadores optaram por não disputar uma das duas vagas em aberto para o Senado. Nomes conhecidos da população, e alguns com altas taxas de aprovação, a maioria dos nomes apareciam como competitivos na disputa.
Entre os casos mais emblemáticos estão os de Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Junior, do Paraná. Ambos eram apontados como favoritos em seus estados.
Leite decidiu permanecer no governo após ser preterido pelo PSD como opção para a disputa presidencial. Ele deve focar nas eleições gaúchas para fazer o seu sucessor, o vice-governador Gabriel Souza (MDB). Hoje, outros nomes lideram as intenções de voto no Estado.
Ratinho, por sua vez, optou por continuar no cargo após decisão de última hora. O governador do Paraná tem um cenário desafiador em seu estado após o racha de seu grupo político.
Então favorito a ser o candidato para presidente do PSD, que escolheu Caiado após a sua desistência, Ratinho vê o senador Sergio Moro (PL) liderando as intenções de voto para o governo, à frente de seu nome, o secretário das Cidades, Guto Silva.
Entre os outros governadores que optaram por não disputar o Senado estão ainda Carlos Brandão (Maranhão), Wanderlei Barbosa (Tocantins), Marcos Rocha (Rondônia), Wilson Lima (Amazonas) e Paulo Dantas (Alagoas).
Este último é considerado um caso isolado: em Alagoas, o governador não aparecia como competitivo na disputa, uma vez que a configuração no estado tem Renan Calheiros e Arthur Lira como candidatos competitivos.
Se parte dos governadores optou por permanecer no cargo, outro grupo seguiu caminho inverso e formalizou a saída para disputar as eleições de 2026. Ao todo, 10 governadores em segundo mandato já renunciaram para concorrer, principalmente ao Senado.
Entre os nomes, há uma predominância de pré-candidaturas ao Senado, mas também movimentos em direção ao Palácio do Planalto. É o caso de Ronaldo Caiado, de Goiás, e Romeu Zema, de Minas Gerais, que se colocam como opções na disputa presidencial.
No Senado, a lista inclui governadores com forte capital político regional, como Gladson Cameli (Acre), Antonio Denarium (Roraima), Ibaneis Rocha (Distrito Federal) e Renato Casagrande (Espírito Santo). A maioria aparece como favorito na disputa.
Também entram na disputa Mauro Mendes (Mato Grosso), Helder Barbalho (Pará) e João Azevêdo (Paraíba), todos com base eleitoral consolidada em seus estados e histórico recente de vitórias.
O caso do Rio de Janeiro traz um elemento adicional de incerteza. Cláudio Castro renunciou para disputar o Senado, mas enfrenta entraves judiciais após condenação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que o deixou inelegível por 8 anos.